IPI isento não empolga lojas
A isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para móveis ajudou a baixar os preços ao consumidor, mas, sem ampla divulgação no mercado, não conseguiu dar grande impulso às vendas no comércio. A expectativa das lojas do ramo é que, com o fim do incentivo e das promoções decorrentes dele previstos para o dia 31 deste mês, haja reação e o cenário mude.
Por enquanto, as seções especializadas nesse tipo de produto estão vazias ou com clientes ainda pesquisando. No Centro de Natal, era esse, pelo menos, o cenário observado na tarde de ontem. “As vendas não aumentaram nada. Acreditamos que o consumidor deixou para a última hora”, disse a gerente do Atacadão dos Eletros, Maria do Socorro Silva.
Segundo ela, com o imposto zerado, mercadorias que custavam cerca de R$ 500, como camas ou roupeiros de madeira, caíram para menos de R$ 300. A loja divulgou. Mas, sozinha, não conseguiu chamar a atenção do público. “O problema é que não teve aquela divulgação detalhada, mostrando que há promoção”.
A falta de uma campanha mais agressiva não foi o único entrave. Algumas lojas enfrentaram dificuldades para receber as encomendas da indústria, no final do ano, quando a procura estava aquecida. “Os fabricantes não conseguiram atender toda a demanda e isso atrapalhou as vendas”, frisa o gerente da Rabelo, Denilson Alves.
Na Todeschini Lagoa Nova, que comercializa móveis mais sofisticados, o incentivo do governo também não trouxe, ainda, grandes resultados. O principal entrave, na visão da diretora da empresa, Cleide Maia, foi o fato de o setor não ter contado com ampla divulgação, ao contrário do que ocorreu com os automóveis. “No nosso caso, o consumidor não percebeu ainda a boa oportunidade. Esperamos que isso aconteça agora, na reta final”, diz, acrescentando que as vendas ficaram estáveis com o incentivo.
O IPI está zerado para móveis de madeira, metal e plástico, além de placas de madeira, que são usadas na fabricação de móveis, desde novembro do ano passado. A medida foi uma das ações anticrise adotadas pelo governo federal para estimular produção, empregos e vendas no país, em tempos de turbulência na economia. As alíquotas do imposto variavam de 5% a 10% para esses produtos. Em busca de um armário novo na tarde de ontem, o gerente financeiro, Elvis Aguiar, 32, comentou que, para o consumidor, todo desconto é bem vindo. Tanto, que, foi com o IPI menor para automóveis – benefício que também vai acabar no final de março – que ele comprou, no mês passado, seu primeiro carro zero quilômetro.
Fonte: http://tribunadonorte.com.br - 16/03/2010








