Juros sobem a 9,5% e assustam a produção
O Banco Central decidiu ontem, em reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), aumentar em 0,75 ponto percentual a taxa básica de juros (Selic), para 9,50% ao ano. A decisão colocou o Brasil novamente na posição de detentor do maior juro real do mundo, e despertou revolta no setor produtivo do País. A decisão foi unânime entre os diretores que formam o comitê.
Em comunicado divulgado após a decisão, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) perguntou: “A quem interessa segurar o crescimento do Brasil?” No documento, a Fiesp fala de pressões para que o BC aumente os juros: “Até a competência e a autonomia dessa respeitada instituição correm o risco de ser colocadas em dúvida”.
Representantes do comércio também demonstraram indignação com a decisão do BC. “A Fecomércio entende que a decisão é precipitada, conservadora, e que freará o consumo interno do País antes mesmo que se possa avaliar os impactos do término dos benefícios fiscais adotados durante o período da crise financeira global”, diz a entidade, em nota. Os bancos não se manifestaram ontem, depois da decisão, mas o Bradesco aposta em que a taxa básica de juros fechará o ano a 11%, diferentemente da média das projeções feitas pelo mercado financeiro, que aposta em que a Selic chegue a 11,75% em dezembro. O banco também aposta em crescimento de 6,4% da economia este ano.
O mercado aguarda que o Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) divulgue no próximo dia 19/5 a decisão de vender US$ 1 trilhão em títulos lastreados em hipotecas. O assunto foi discutido em reunião de dois dias do Fed, encerrada ontem. As autoridades monetárias dos Estados Unidos procuram uma fórmula de se desfazer dos papéis sem esfriar a recuperação da economia.
Fonte: www.dci.com.br - 29/04/2010








