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Mão-de-obra é prioridade para empresas familiares

A garantia de mão de obra qualificada e a profissionalização da gestão são prioridades das empresas familiares brasileiras para os próximos 12 meses, à frente do produto ou serviço que colocam no mercado. É um contraste ante a tendência da média dos 1,6 mil grupos de pequeno e médio porte ouvidos em diversos continentes que focam a demanda e vendas. Para representantes regionais da consultoria PricewaterhouseCoopers (PwC), que divulgou ontem a segunda edição da pesquisa Empresas Familiares, o comportamento reflete o impacto diferente da recente crise mundial.

O farto mercado interno, que alimenta crescimento de setores, alivia a perda de espaço no exterior, diante da recessão em muitas regiões e perda de competitividade, pela valorização do real. O sócio da PwC e responsável pelas operações de mercado do grupo de auditoria e consultoria no Sul do País, Fábio Abreu, aponta que as empresas nacionais (cem entre os 1,6 mil entrevistados) prioriza a manutenção de condições para "surfar" a onda do crescimento interno. O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro deve avançar 7,5% este ano e a previsão é de 4% a 4,5 em 2011.

O levantamento mostrou que o recrutamento de pessoal aparece com 63% das atenções, seguido por 45% de foco na reorganização do negócio. Já a média global indicou 38% para o primeiro quesito e 29% para o segundo. Para as empresas situadas nas Américas, Europa, Oriente Médio e Ásia, o fluxo de caixa e custos estão na segunda posição, com peso de 30% na operação. "Mercados em recuperação olham mais ganhos com vendas", justifica o sócio da PwC. O contraste ainda aparece em aspectos revelados pela pesquisa quando se trata de disputar mercado. Abreu ressalta que os grupos familiares brasileiros revelam que estão preocupados em manter saúde financeira ao lado da força da marca, ambos com 24% das indicações. Enquanto isso, competidores globais perseguem mais a qualidade e variedade de produtos para conquistar espaço, com 28%.

Na gestão, o peso da sucessão familiar é maior na projeção das mudanças futuras, com 57% de atenção entre os grupos nacionais e 53% das globais. Nesta área, as empresas brasileiras são mais conservadoras, com menor espaço para troca de estrutura societária, descartada antes de cinco anos por 45% das ouvidas. As globais sinalizam com 61% de intenção. Mesmo assim, Abreu aponta retomada dos processos de abertura de capital, que tiveram boom em 2007, mas que esfriaram entre 2008 e 2010 devido à crise, e de ingresso de fundos para injetar capital.

"Há centenas de empresas pensando e se preparando para estes processos. O ano de 2007, que teve 64 IPOs, se repetirá nos próximos anos", sinaliza o sócio da consultoria. Um detalhe que reforça tendência de manutenção do controle familiar: dos sucessores de cargos executivos-chave (presidente e diretor financeiro), um a dois são do clã em 40% das pesquisadas. Nenhum, em 26% dos casos, e de três a cinco, em 21% das ouvidas.

Fonte: Jornal do Comércio - RS / www.portogente.com.br - 05/11/2010

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