Melhora global ofusca brilho do Brasil
Cenário favorável de países ricos começa a tirar investidores do País, um dos mercados preferidos por financistas mundiais atualmente.
Queridinho
dos investidores internacionais nos últimos tempos, o Brasil tem seu
posto ameaçado por países desenvolvidos - aqueles que sofreram muito
mais com a crise. Desde o início do ano, mercados emergentes como o
brasileiro perdem dinheiro para os chamados mercados maduros. Motivo: a
melhora das perspectivas de crescimento para países como Estados Unidos e
Alemanha, e a provável alta dos juros na zona do Euro e na Inglaterra
ainda em 2011.
Mas não é só isso. O risco de superaquecimento em economias como a
brasileira e a chinesa, as altas dos juros para conter a inflação nessas
e em outras nações em desenvolvimento, a crise no Egito e incertezas em
relação ao novo governo brasileiro deixaram investidores com o pé
atrás. "As virtudes brasileiras foram exageradamente elogiadas nos
últimos anos e as limitações do País foram pouco enxergadas", afirma
Paulo Bilyk, sócio da Rio Bravo Investimentos.
Nem todos os analistas são tão ácidos. "O que está havendo é um
rebalanceamento (dos investimentos) no mundo, mas nada trágico", pondera
o diretor do banco de investimentos do Credit Suisse no Brasil, José
Olympio Pereira. Um dos principais executivos do País na área de
abertura de capital (IPOs, na sigla em inglês), ele lembra que, apesar
do cenário mais nublado, janeiro teve o maior volume de IPOs para o mês
desde 2007.
"Pode ser que, no curto prazo, a tendência de migração para
desenvolvidos seja dominante. Mas, considerando que os fundamentos de
médio e longo prazo dos emergentes são melhores, a situação pode se
inverter", completa o diretor de Estratégia para América Latina do
Deutsche Bank, Frederick Searby.
Desempenho ruim. Do início do ano até quinta-feira, o Índice da Bolsa de
Valores de São Paulo (Ibovespa) apresentava um dos piores desempenhos
do mundo. Em dólares, perdia pouco mais de 7%, à frente apenas dos
mercados das Filipinas, da Tailândia, da Índia e do Chile. Na ponta
oposta, encontravam-se indicadores de países desenvolvidos. O índice
S&P 500, da Bolsa de Nova York, avançava pouco mais de 5%,
porcentual semelhante ao da bolsa eletrônica americana Nasdaq.
Nos
nove primeiros dias de fevereiro, o saldo de investimento estrangeiro
na Bovespa estava negativo em R$ 1,4 bilhão. No ano, as saídas superavam
as entradas em R$ 976 milhões.
Nas últimas quatro semanas, US$ 11,5 bilhões deixaram fundos de
investimentos de países emergentes - do Brasil, saíram US$ 390 milhões e
da China, US$ 1,4 bilhão. A maior parte da sangria ocorreu nos chamados
fundos globais de emergentes, que mesclam ativos de todos os países
inseridos nesse conceito.
No mesmo período, os países desenvolvidos acumularam entrada líquida de
US$ 21,4 bilhões - os EUA lideram o movimento, com aportes US$ 14,3
bilhões superiores aos saques.
Fonte: http://www.global21.com.br (14/02/2011)








