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Móveis - Mercado interno deve compensar exportações

Segundo o empresário Henrique José Bertolini, o ano de 2008 deve ser positivo em termos de recuperação das vendas do setor moveleiro.

O empresário Henrique José Bertolini, que integra a direção comercial da Bertolini S/A, assume hoje o cargo de presidente do Sindicato das Indústrias do Mobiliário de Bento Gonçalves (Sindmóveis). Entre suas preocupações, está a de estimular as empresas do setor na busca constante da inovação como forma de manter-se no mercado, enfrentando a concorrência de organizações estrangeiras, e se adequando à maior oferta de produtos por conta do retorno de grupos nacionais antes focados exclusivamente nas exportações.

A seguir entrevista do Sr. Henriqie Bertolini ao Jornal do Comércio em 15/01:

Jornal do Comércio - Como está sendo o desempenho da indústria moveleira de Bento Gonçalves neste início de ano?
Henrique Bertolini - É difícil ter um quadro claro no início de ano, sempre um período de adequações e ajustes. Mas o ano promete ser muito positivo em termos de recuperação das vendas do setor e de consolidação dos objetivos do sindicato. A atividade tem boas perspectivas, especialmente em função da grande demanda por novos imóveis na construção civil, o que repercute em incremento de negócios para a indústria moveleira. Já em 2008 vamos nos beneficiar no impulso registrado no ano passado na produção de novos empreendimentos residenciais e de negócios.

JC - Como foi o fechamento dos resultados da indústria moveleira de Bento em 2007?
Bertolini - Não temos ainda fechados os números de dezembro, mas projeta-se incremento físico na ordem de 14% a 18% sobre 2006. O mesmo não ocorreu com o faturamento do setor em Bento, que teve alta menor, oscilando na casa de R$ 1,6 bilhão a R$ 1,8 bilhão. Deste total em torno de US$ 80 milhões tiveram origem em exportações. O aspecto negativo foi a defasagem cambial, que trouxe problemas para o setor, que perdeu mercados no exterior. Por conta disto muitas empresas, antes exclusivamente voltadas ao mercado externo, passarão a ter maior presença no Brasil.

JC - Que impactos este retorno podem trazer para o setor?
Bertolini - Haverá maior oferta de produtos, o que pode repercutir em redução de preços dos móveis. Isto já está acontecendo, com tendência de consolidar-se fortemente em 2008. Todas as empresas terão de agir no sentido de investir em inovação, competitividade e alternativas de novas matérias-primas para fazer frente a este novo momento. Mas o mercado interno tem condições de absorver a ociosidade decorrente do menor volume de exportações. O que mais preocupa é o poder aquisitivo do consumidor brasileiro.
JC - Diante deste quadro, preocupa a possibilidade de faltar matéria-prima, principalmente placas de madeira?
Bertolini - Analisando os investimentos programados pelos fabricantes de painéis podemos ter a segurança de que não teremos problemas com desabastecimento até 2010. Haverá crescimento gradual de oferta para o setor. São três a quatro plantas novas que deverão entrar em atividade neste período no Brasil.

JC - Em que mercados externos o setor mais encontra dificuldades para manter os negócios?
Bertolini - Na América Latina as condições são melhores para repassar os reajustes de preços. Já em outros mercados é mais difícil. Alguns sequer aceitam conversar sobre aumentos. Além disto, enfrentamos a concorrência de outros fabricantes mundiais, situação que tende a se tornar ainda mais acentuada.

JC - Estes concorrentes podem chegar ao Brasil?
Bertolini - Esta é uma tendência clara e irreversível. Já se iniciou com várias ofertas e que gradualmente torna-se mais forte quer por fabricantes chineses, quer por indianos, bem como por europeus. É uma situação que veio para ficar e com a qual teremos de conviver.

JC - Quais as principais ações do setor para enfrentar esta concorrência?
Bertolini - Além de inovar no design e no uso de matérias-primas alternativas, é preciso investir em automação para ganhar em produtividade. Quem não fizer isto, não terá condições de concorrer neste mercado. É preciso reconhecer, no entanto, que isto traz redução na ocupação da mão-de-obra. Por isso, mesmo com a expectativa de incremento da produção em 2008, o número deverá ficar estável na casa de 10,8 mil funcionários.

JC - Quais as principais metas para o período 2008/2009 à frente do Sindmóveis de Bento Gonçalves?
Bertolini - Inicialmente, dar continuidade ao trabalho realizado pelas diretorias anteriores e apoiar as empresas no sentido de estimular a inovação, além da participação efetiva nos interesses sociais dos associados.

JC - Que projetos devem merecer atenção especial da sua diretoria?
Bertolini - Daremos seqüência aos projetos estabelecidos dentro do planejamento estratégico, onde está definida a missão e os princípios da entidade. Depois da posse vamos reavaliar o planejamento e aí, depois de uma análise, apresentaremos novos projetos.

Roberto Hunoff

Fonte: http://jcrs.uol.com.br


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