Moveleiros adotam cautela com argentinos
Maior exportador brasileiro de móveis para a Argentina, a indústria gaúcha adota certa dose de cautela ante o acordo acertado na semana passada com o país vizinho e que instaurou o regime de cotas nas relações comerciais do setor.
A presidente da Associação das Indústrias de Móveis do Estado (Movergs), Maristela Longhi, aponta o descumprimento de prazos para liberar licenças de importação, que adiou vendas do setor calçadista local, justifica a expectativa sobre a eficácia da atual negociação. Já o teto de exportação, que ficou em 65% do volume de 2008, não foi considerado ideal, mas uma alternativa viável.
Segundo Maristela, a diferença já era projetada como perda este ano como efeito da desaceleração do mercado na conjuntura de crise. Desde outubro de 2008, o setor registra queda nas vendas para o exterior. Para o Brasil, o teto acertado com os argentinos deve representar divisas em US$ 77,7 milhões ante US$ 119,6 milhões do ano passado. O valor a ser comercializado pela indústria gaúcha deve chegar a US$ 23,8 milhões, ante US$ 36,6 milhões do ano anterior.
A presidente da Movergs lembra que houve o comprometimento do governo vizinho e da Federação Argentina da Indústria Madeireira e Afins (Faima) para agilizar as liberações não automáticas.
A partir de março, a Argentina adotou licenças para móveis e freou as transações. "Eles garantiram que as licenças pendentes serão liberadas em junho e que os demais pedidos serão efetuados em até 40 dias", detalhou Maristela. A dirigente destacou ainda que a Organização Mundial do Comércio (OMC), que é o organismo regulador da aplicação das licenças não automáticas, prevê prazo de 60 dias.
Abril retratou o efeito da conduta do país vizinho para a indústria local. Até final de março, as exportações gaúchas haviam somado US$ 8,1 milhões, com média de US$ 2,7 milhões mensais. "Em abril, vendemos apenas US$ 44,8 mil. Quase nada", afirmou Maristela.
Patrícia Comunello
Fonte: http://jcrs.uol.com.br








