O Rio Grande do Sul diante da crise
A crise econômica mundial e os impactos no Rio Grande do Sul foi o tema da palestra ministrada pelo Senhor Igor Morais, Economista-Chefe da Unidade de Estudos Econômicos da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (FIERGS).
O encontro foi promovido pelo Sindicato das Indústrias Metal Mec. e Mat. Elet. de Bento Gonçalves (SIMMME). O evento ocorreu em 15 de julho nas dependências do SENAI-CETEMO, em Bento Gonçalves, RS.
Na oportunidade estiveram presentes associados do SIMMME, estudantes e demais interessados no assunto.
A seguir alguns dos dados destacados pelo economista Igor Morais:
Quando a crise acaba?
Reino Unido - deverá sair mais rápido da recessão - estão mais próximos de sair da crise.
Alemanha – Sinal confuso.
Países emergentes
México – Estava bem até abril de 2009, quando ocorreu a gripe suína caiu o crescimento.
Brasil – Não será o primeiro a sair da crise.
China – Deverá haver notícias positivas, está entrando mais dólares no país, o que deverá continuar financiando os Estados Unidos e necessitados. A China recuperou-se fortemente, importa grande quantidade de produtos asiáticos para produzir.
Índia – Recuperação forte.
Países desenvolvidos antes do ano de 2010 não terão boas notícias;
Países emergentes já apresentam sinais de recuperação em 2009.
Brasil – Comércio Externo
As exportações brasileiras correspondem a 14,5% do PIB. O Brasil não depende do setor externo, motivo pelo qual os brasileiros não sentiram tanto a crise, o país possui um mercado interno forte.
Importações representam 14,3% do PIB o que gera um saldo muito pequeno (0,2%) na Balança Comercial.
O Consumo das famílias corresponde a 61% do PIB.
Desempenho Pré-crise: alto consumo – 1ª variável importante – mercado de trabalho/emprego.
Desempenho Ano de 2008: 655 mil vagas de trabalho a menos, efeito deverá acentuar-se a partir de agosto de 2009 quando o seguro desemprego acabar.
Emprego
Geração de 300 mil vagas no primeiro semestre de 2009 – muito pouco diante da necessidade das pessoas que entram no mercado de trabalho.
Comércio
Os impactos no comércio serão maiores a partir de julho-agosto/2009.
Principais Efeitos Conjunturais
Investimentos ainda não vão se recuperar no segundo trimestre.
Estoques – Nos últimos seis meses o Brasil teve forte ajuste nos estoques.
Mercado Externo – Quem trabalha com país desenvolvido vai sentir mais os efeitos da crise, já aqueles que negociam com os países subdesenvolvidos sentirão menos as conseqüências da turbulência global.
PIB – O Produto Interno Bruto poderá sofrer mais um tombo antes da recuperação definitiva.
A recuperação dos Estados Unidos e Europa ainda é superficial.
Implicação Positiva
Indústria começa a produzir – estoques estão ajustados – mais empregos.
Rio Grande do Sul – Exportações
Todos os resultados do estado gaúcho em comparação ao Brasil são piores – O Rio Grande do Sul exporta mais para países desenvolvidos.
O desempenho de maio da indústria é positivo, pois queimou os estoques e precisou produzir.
Cenário ruim entre novembro e abril, começa a se recuperar agora (julho).
73% das indústrias gaúchas tiveram queda no faturamento até maio.
Os primeiros atingidos pela crise:
Indústria – Exportador – Metal Mecânico
De novembro a maio, 90,2% do PIB Industrial teve queda no Rio Grande do Sul.
De janeiro a maio houve queda de 11% nas vendas do comércio em Bento Gonçalves.
Rio Grande do Sul comparativamente ao Brasil
Do ano de 1996 a 2008 o Brasil cresceu 2,4% ao ano;
O Rio Grande do Sul no mesmo período cresceu 2,1%.
| Faturamento da Indústria | Emprego Industrial | |
|---|---|---|
| Brasil |
3,8% |
0,12% |
| Rio Grande do Sul |
1,6% |
0,50% |
A média do custo da produção no ano de 2007 foi de aproximadamente 55,6% no estado gaúcho.
O Rio Grande do Sul é o 5º estado brasileiro onde é mais caro produzir;
Arrisca-se a dizer que os impostos são os principais responsáveis pela baixa participação do estado no total da produção nacional.
Custo operacional x Receita líquida de vendas (2007)
Média da Indústria de transformação é de 65%.
A seguir alguns segmentos que tem o custo industrial gaúcho maior que o Brasil:
| Segmento | Média Brasil | Média Rio Grande do Sul |
|---|---|---|
| Móveis e diversos |
55% | 57,3% |
| Máquinas e equipamentos |
55% |
57,8% |
| Equipamentos de transporte |
61% |
67,5% |
O setor moveleiro apresentou um aumento de 8,6% no seu custo de produção no ano de 2007;
O custo de produção do setor de Máquinas e equipamentos elevou-se em 19,8%.
Oportunidades para o Rio Grande do Sul
Inovar é preciso (lei da Inovação);
Implicações: Diminuição de custos e aumento da produtividade.
Capacitação do trabalhador e do empresário para continuar crescendo
Implicações: Empresário mais capacitado para lidar com adversidades e trabalhador melhor preparado para se inserir no mercado de trabalho.
Nova Economia
Implicações:
• Novos produtos e mercados
• Biotecnologia
• Base florestal
• Tecnologia da informação
• Microeletrônica
• Pólo naval
O custo unitário do Trabalho: Câmbio, salário e produtividade.
“Está mais caro para produzir no Brasil e no Rio Grande do Sul”.
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