Oportunidade descartada
Setor Moveleiro pode transformar resíduos em ganhos, diz pesquisa.
Conforme pesquisa da professora Magda Medianeira Reginato Bassanesi da Universidade de Caxias do Sul (UCS), com o tema Logística Reversa, resíduos gerados pelo segmento podem ser aproveitados pelos próprios integrantes da cadeia, servindo como agregador de receita e redutor dos custos.
- As empresas não vêem os resíduos como oportunidade, mas sim como problema. E o pior, como um problema individual. Porém, com a aplicação dessa logística, os resíduos oferecem uma oportunidade de ganho para todos - explica Magda.
A pesquisa mostra que, mensalmente, as empresas moveleiras do RS produzem cerca de 28 mil metros cúbicos de resíduos como serragem, maravalhas (lascas de madeira) e retalhos (pedaços maiores de madeira). Hoje, na região, só parte da serragem é aproveitada por granjas de aves, e algumas empresas usam os resíduos como combustível para caldeira, quando possuem estufas para secagem de madeira.
Entenda melhor
O que é a logística reversa?
É o caminho de volta da logística tradicional. Em vez de se preocupar com a coleta de matéria-prima e distribuição dos produtos, a logística reversa busca retornar para a empresa os materiais já distribuídos ou mesmo descartados na linha de produção. Um exemplo seria a a recuperação no mercado das pilhas, baterias e pneus usados que não poderiam ser descartados no lixo comum.
Onde poderia ser implantada na cadeia moveleira?
No aproveitamento dos resíduos resultantes da cadeia produtiva da madeira e do móvel. Por exemplo, na parte de extração da madeira, nas áreas de reflorestamento, galhos e folhas descartados para limpeza das toras de madeira poderiam ser transformados em adubo. Já nas unidades de fabricação de móveis, serragens, maravalhas e retalhos de madeira podem ser reaproveitados seja na produção de chapas de aglomerado ou mesmo para a fabricação de compostos termoplásticos, utilizados na própria fabricação de móveis, solas de sapato e uso na construção civil.
O que é preciso para implantar o sistema?
Cultura de cooperação na cadeia produtiva, mudança do ponto de vista dos empresários para que enxerguem os resíduos como matéria-prima, e desse modo potencial gerador de receita, não um problema a ser descartado.
Sistema depende de integração
A professora do curso de Administração da UCS Magda Medianeira Reginato Bassanesi acredita que 100% do material de sobra gerado pela cadeia moveleira poderia ser reaproveitado pelas indústrias de aglomerado. Se o total de resíduos fosse direcionado para esse fim, representaria um incremento de 40% na produção de aglomerado no Estado. Os resíduos ainda podem ser aproveitados na fabricação de compostos termoplásticos (materiais feitos de serragem e plástico) para ser transformados em chapas para móveis, solas de sapatos e mesmo para utilização na construção civil, entre outros fins.
- A logística de aproveitamento pode ser aplicada em todos os níveis da cadeia, desde o reflorestamento até a unidade de processamento da madeira e mesmo junto ao consumidor final - defende Magda.
Fonte: www.clicrbs.com.br/jornais/pioneiro








