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Originalidade vira questão de sobrevivência na indústria moveleira

Além de funcionais, úteis e simples, os consumidores atuais agora exigem produtos originais.

O que é bonito nem sempre é funcional ou o que é funcional nem sempre é bonito. Pior: pode ser bonito e funcional, mas é útil? A equação, difícil de resolver, permeia gerações e coloca em estado de alerta empresas da indústria moveleira. O que é unanimidade entre todas as empresas do setor é que o design é elemento-chave na hora de oferecer ao consumidor objetos úteis, funcionais e, principalmente, originais. 

“A concepção de um objeto tem de ser muito bem planejada, caso contrário, por um detalhe, como o de apostar em uma cor específica, pode significar perda de dinheiro”, disse Régis Dubrule, fundador da Tok & Stock, rede de lojas de móveis e decoração, durante painel sobre a indústria de móveis no segundo dia do Brazil Design Week. O evento, promovido pela Associação Brasileira de Design (Abedesign), começou na terça-feira (9/9) e segue até o próximo domingo (14/9) no Museu de Arte Moderna (MAM) do Rio de Janeiro. A ação conta ainda com o apoio do Governo do Estado do Rio de Janeiro, Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e Sebrae.

Em seus 30 anos de existência, a Tok & Stok apostou em criar alguns pilares imutáveis para ganhar mercado. O primeiro e mais importante deles é estabelecer o equilíbrio entre, o que seu fundador chama, 'toque e estoque'— da abreviação, surgiu o nome da empresa. Segundo Dubrule, o 'toque' engloba design, tendências, ousadia, inovação, praticidade, qualidade visual e, principalmente, emoção. Já o 'estoque', diz Dubrule, está relacionado a atributos mais práticos como, funcionalidade, produção, pronta-entrega, exposição didática, garantias e razão. Com isso em mente, ele traçou estratégias que determinam a forma como conduz seus negócios. “Se você tem excesso de 'toque', a loja pode se tornar elitista, o que afasta consumidores das camadas mais populares. O oposto é ruim. Muito 'estoque' mostra uma preocupação excessiva com os desejos do cliente, que nem sempre aprova objetos criativos logo de cara”.

A conquista de consumidores pode ser alcançada por caminhos diversos. Roberto Hirth, da Mendes-Hirth, diz que sente necessidade de trazer um lado mais lúdico, mais fantasioso aos seus móveis. "Função, forma e fantasia. É nesse terceiro item que surpreendemos os clientes. Sem fantasia, o objeto fica sem graça", afrima. Já a Saccaro ajustou seu foco em uma fatia da população bem específica, a classe AA. Cerca de 80% do que é desenvolvido e produzido em Caxias do Sul, sede da empresa gaúcha, é destinado a esse nicho. Edson Buzin, gerente de marketing da companhia, lembra que o sucesso dos 62 anos de existência da marca e a consolidação no mercado de móveis no Brasil deve-se a pequenos detalhes. “Usamos vime até hoje em nossos móveis. É uma forma de marcar um produto. O vime, que impulsionou a criação da primeira fábrica, é o nosso DNA. E assim como é importante ter metas bem traçadas, é essencial criar uma identidade que será usada no design dos produtos”, diz. 

Roberta Cardoso 

Fonte: http://epocanegocios.globo.com


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