Primeiro debate em Davos ignora Brasil e emergentes latinos
Focos desta quarta-feira (24/01) de Davos foram EUA, Europa, Japão, China e Índia; encontro foi iniciado em tom de moderado otimismo para economia global em 2007.
Num debate entre graduados economistas que tradicionalmente marca a abertura do evento, Brasil e América Latina foram ignorados em um debate cujo foco, além dos Estados Unidos, Europa e Japão, recaiu sobre a China e a Índia, considerados pela maioria dos analistas os dois países emergentes capazes de terem um impacto sobre a economia mundial nos próximos anos.
A única menção ao Brasil no debate não foi espontânea. Ela ocorreu quando um jornalista brasileiro perguntou aos palestrantes sobre as perspectivas do país. O professor Nouriel Roubini, presidente da consultoria Roubini Global Economics, fez uma avaliação semelhante à que domina os investidores e analistas estrangeiros. "O Brasil precisa aumentar seu potencial de crescimento através de mais investimentos", disse. "Mas para isso precisa promover profundas reformas estruturais que melhorem sua situação fiscal." O ex-governador do Banco Central de Israel e vice-presidente da seguradora American International Group lembrou que o presidente Lula, ao participar do fórum de Davos poucas semanas após assumir seu primeiro mandato em 2003, tranqüilizou os mercados ao garantir a manutenção da estabilidade macroeconômica do país. "Vamos agora ver agora o que Lula vai nos dizer dessa vez", disse Frenkel.
Ao contrário do que ocorreu há quatro anos, a presença de Lula em Davos na próxima sexta-feira não está despertando interesse entre os milhares de participantes e jornalistas que estão nos Alpes suiços. Poucos, inclusive, estão cientes do Pacote de Aceleração do Crescimento (PAC) anunciado pelo governo na segunda-feira passada.
Economia mundial
No primeiro debate do Fórum, preponderou a tese de que o impacto da desaceleração econômica nos Estados Unidos será compensado pela performance mais positiva da Europa, Japão e os grandes emergentes, principalmente a China e a Índia.
Mas isso não significa que os riscos para esse cenário benigno devam ser menosprezados, entre os quais uma onda de protecionismo comercial causada pela enorme desequilíbrio das contas correntes dos Estados Unidos e a China e os efeitos da globalização sobre os trabalhadores dos países ricos, principalmente os norte-americanos. O domínio desde o final do ano passado do Partido Democrata sobre o congresso norte-americano reforçou esse temor nos últimos meses.
"Há muitas razões para estarmos otimistas com a economia mundial neste ano", disse a professora de economia da Universidade da Califórnia, Laura Tyson. "Os mercados estão menos voláteis, há um maior equilíbrio no crescimento dos Estados Unidos, Europa e Japão e o mundo deverá registrar mais um ano de forte crescimento no comércio."
Segundo Min Zhu, vice-presidente do Bank of China, a economia chinesa terá "um desempenho ainda melhor em 2007", crescendo novamente em torno dos 10%. "O governo chinês fez um ótimo trabalho em 2006 na adoção de medidas para evitar um superaquecimento econômico e gerae uma expansão muito mais equilibrada", disse Zhu.
A Índia, após crescer 8,3% em 2006, deve acelerar o rimo para uma taxa de 10% nos próximos anos, afirmou o vice-presidente da Comissão de Planejamento do país, Montek Ahuluwalia. Ele observou, no entanto, que a Índia precisa atrair uma grande volume de investimentos para manter o ritmo de sua expansão.
Jacob Frenkel, vice-presidente da seguradora American International Group e ex-governador do banco central de Israel, salientou a importância da menor presença do Estado na economia de vários países. "O poder migrou para os mercados e por isso estamos mais imunes a mudanças políticas", disse.
"Pouso Forçado" - Mas nem todos economistas demonstraram otimismo. O presidente da consultoria Roubini Global Economics, Nouriel Roubini, acredita que a economia dos Estados Unidos corre um sério risco de ter um `pouso forçado´ ao invés do "pouso suave" previsto pela maioria dos mercados. "Acredito que os Estados Unidos poderá enfrentar uma recessão ou um crescimento de apenas 1%, causado principalmente pela crise no setor imobiliário, que ainda não atingiu seu pico", disse Roubini. "Isso teria um impacto negativo para todo o mundo."
Tyson e Frenkel, embora tenha rebatido os argumentos de Roubini, alertaram que os riscos não podem ser menosprezados, inclusive os geopolíticos. "As coisas estão boas, talvez boas demais, e a história mostra que economistas muitas vezes são pegos de surpresa por fatos inesperados", disse Frenkel.
Fonte: http://www.estadao.com.br/ultimas/economia/noticias/2007/jan/24/108.htm








