Produção industrial cresce 3,1% em 2005, menos da metade de 2004
A produção industrial brasileira
acumulou alta de 3,1% em 2005.
A expansão da indústria, no entanto, ficou bem abaixo da
verificada em 2004, quando o setor registrou a maior taxa de crescimento em 18
anos, de 8,3%.
Em dezembro, a produção industrial registrou alta de 2,3% na comparação com
novembro e de 3,2% em relação a dezembro de 2004. O resultado positivo já era
previsto pelo mercado.
Segundo Fábio Giambiagi,
economista do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), órgão ligado ao
Ministério do Planejamento, é razoável esperar a continuidade do resultado
favorável de dezembro nos próximos meses. Para ele, há um "sentimento
generalizado" de que a crise política ficou para trás e que o ajuste de
estoques que afetou os resultados da economia no terceiro trimestre foi
concluído.
No terceiro trimestre, a indústria foi afetada por um descompasso entre
produção e demanda. O excesso de estoques levou a uma freada maior do que o
esperado no período julho-setembro. Essa defasagem contribuiu para o recuo de
1,2% da economia brasileira no terceiro trimestre.
A recuperação só ocorreu no último trimestre, com alta de 0,4% em outubro, de
1,3% em novembro (dados já revisados) e de 2,3% em dezembro. Com a
desaceleração do terceiro trimestre, ao longo do ano os indicadores de longo
prazo, como a taxa acumulada em 12 meses, foram perdendo fôlego gradativamente.
Setores
De janeiro a dezembro, o crescimento da indústria foi disseminado em 17 das 27
atividades, com destaque para veículos automotores (6,8%), indústria extrativa
(10,2%), edição e impressão (11,6%) e material eletrônico e equipamentos de
comunicações (14,2%).
Entre as atividades em queda, as que exerceram a maior pressão negativa sobre
os resultados foram metalurgia básica (-2%), outros produtos químicos (-1,3%) e
máquinas e equipamentos (-1,3%).
Das quatro categorias de uso, a maior expansão ficou com bens de consumo
duráveis (automóveis e eletrodomésticos), de 13,1%, devido ao crescimento na
produção de automóveis (13,1%), telefones celulares (43,9%) e televisores
(23,1%).
Segundo o IBGE, o aumento na oferta de crédito e a maior estabilidade no
mercado de trabalho alavancaram as vendas domésticas. No caso dos automóveis,
além do aumento de 21,9% nas unidades exportadas, o lançamento de veículos
bicombustíveis também impulsionou as vendas internas.
Já os bens de consumo semiduráveis e não-duráveis (roupas e alimentos) tiveram
expansão de 4,7%. Desde 1999, esse segmento não superava a média da indústria.
De acordo com o IBGE, a expansão está relacionada à trajetória da massa
salarial --a renda subiu 2% no ano passado e ao declínio de preços dos
alimentos.
O segmento de bens de capital (máquinas e equipamentos) cresceu 3,6%, com destaque
para máquinas para construção (32,1%) e máquinas para energia elétrica (28,5%).
Já o setor de bens intermediários (insumos industriais) foram a única categoria
com crescimento abaixo da média da indústria, com alta de 1% em 2005. Os
principais impactos negativos vieram de combustíveis e lubrificantes elaborados
(-1,6%) e insumos industriais elaborados (-0,3%).
Fonte: www.folha.uol.com.br - 07/02/06








