Produção industrial tem maior queda em nove meses, diz IBGE
A produção da indústria brasileira caiu 1,7% em junho na comparação livre de influências sazonais (típicas de cada período) com maio, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Foi o pior desempenho desde setembro de 2005 (-2%). Em maio, a indústria alcançou o melhor resultado do ano, com uma expansão de 1,6%.
Na comparação com o mesmo mês do ano passado, também houve queda de 0,6%. No ano, a atividade industrial apresenta alta de 2,6%.
O chefe da Coordenação da Indústria do IBGE, Silvio Sales, atribui o recuo a uma série de fatores, como greve em montadoras e na indústria extrativa, um dia útil a menos em relação ao ano passado, paralisações informais em razão da Copa do Mundo e a redução do volume de exportações.
Além disso, ele cita que sondagens da indústria já começaram a apontar um aumento de estoques.
"A dimensão da queda sugere que foi mais que uma acomodação", afirmou.
Para o pesquisador, ainda não há dados para afirmar que o recuo de junho tenha sido pontual. Houve decréscimo generalizado na produção industrial na comparação com o mês anterior.
O setor de bens intermediários, que agrega, entre outras coisas, insumos para a indústria e construção civil, embalagens, adubos e fertilizantes e que tem o maior peso no índice, puxou a queda, com baixa de 1,9%.
Os bens de capital (máquinas) e bens de consumo semi e não-duráveis (roupas e alimentos) tiveram recuo de 1% na produção.
Entre os maiores destaques negativos estão veículos automotores (-4,6%), outros produtos químicos, que inclui petroquímica e fertilizantes (-4,8%) e indústria extrativa (-3,4%).
Por outro lado, os segmentos farmacêutico (5,5%) e refino de petróleo e produção de álcool (1,5%) tiveram aumento representativo.
Na comparação anual, o maior impacto negativo partiu do setor de material eletrônico e equipamentos de comunicação. A produção de telefones celulares exerceu a maior pressão para baixo: -32,1%. No primeiro trimestre do ano, os celulares tinham alcançado alta de 31,3%. Já no segundo trimestre, eles tiveram recuo de 18%.
O resultado do mês de junho também se refletiu no desempenho do segundo trimestre do ano que mostrou desaceleração.
No segundo trimestre houve avanço de apenas 0,8% frente a igual período do ano passado. No primeiro trimestre de 2006 a expansão tinha chegado a 4,6% ante o mesmo período do ano passado.
Clarice Spitz
Fonte: www.folha.uol.com.br








