Redução de 0,25 na Selic é insuficiente e compromete sucesso do PAC, diz indústria
Dando prosseguimento ao processo de flexibilização da política monetária, o Copom decidiu (em 24/01) reduzir a taxa Selic para 13% ao ano, sendo que o corte para 13% já era esperado por parte do mercado.
Uma ala mais otimista de analistas, porém, esperava redução de 0,5 ponto. Com o anúncio do PAC (Programa para Aceleração do Crescimento), alguns analistas reforçaram a expectativa de manutenção do ritmo de corte da taxa, já que o juro menor favorece o crescimento da economia. Outros, entretanto, avaliaram que como as medidas do pacote são expansionistas, o Copom poderia ser mais cauteloso.
O presidente da FIERGS (Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul) , Paulo Tigre, afirma que o País perdeu uma boa oportunidade de tornar a atividade produtiva mais viável. ''É lastimável ver que na mesma semana em que se anuncia o PAC, o governo, numa atitude de parcimônia sem justificativa, continue a obrigar a economia a conviver com taxa de juros reais tão altas'', destaca.
Há diversos fatores que favoreciam uma redução mais acentuada da Selic, como a baixa inflação do ano passado (IPCA de 3,14%) e a expectativa para 2007 de 4,07%, que fica abaixo da meta de 4,5%, além da estabilidade cambial. No cenário internacional, o Banco Central americano dá indícios de ter interrompido a alta dos juros e há menor pressão sobre o preço dos combustíveis.
Para o presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), Paulo Skaf, a queda "está na contramão do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento)".
"O recuo é insuficiente para referendar a confiança dos setores produtivos no PAC e no discurso de crescimento pronunciado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva", disse. Para Skaf, "nem parece que o Copom integra o mesmo governo que, há apenas dois dias, anunciou um grande e abrangente programa voltado à expansão do PIB. É paradoxal".
Skaf disse que "a retórica com pompa e circunstância do crescimento começa a derrapar precocemente na Selic". "Caso não se altere a política de juros, dificilmente o país terá o crescimento que a nação precisa e merece".
O presidente da CNI (Confederação Nacional da Indústria), Armando Monteiro Neto, lamentou a redução de 0,25. Segundo ele, "com o PAC, um movimento mais conservador da redução da taxa de juros pode ser um sinal invertido em relação a tudo que o governo pretende para criar um ambiente favorável à aceleração do crescimento".
Para a Abdib (Associação Brasileira da Infra-Estrutura e Indústrias de Base), "a timidez do Copom caminha na contramão da ousadia que o PAC pede ao setor produtivo". "Tem alguma coisa errada, porque o PAC pede para o setor produtivo acelerar, mas Copom pede para frear", disse o presidente da Abdib, Paulo Godoy.
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Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u113994.shtml
http://www.fiergs.org.br/noticia_aberta_fiergs.asp?idnoticia=1756








