Relatório OMC
O governo chegou a ficar tão empolgado com os resultados que anunciou a
possibilidade de fechar 2006 em nova posição na classificação da OMC.
Segundo o governo, o Brasil poderia desbancar suíços, austríacos e
suecos e atingir a 20ª posição.
O relatório, porém, mostra que não basta apenas bater recordes
internos, enquanto os demais países também continuam crescendo. Em
termos de volume, a América do Sul teve um dos piores desempenhos. O
aumento das vendas foi de apenas 2%, ante 22% da China, 10,5% dos
Estados Unidos, 7,5% da Europa e uma média mundial de 8%. O Brasil
apresentou um aumento no volume exportado de apenas 4%. Entre as
regiões, apenas a África teve um índice menor, com 1%.
“As expansões (de exportação) na América do Sul e Central desaceleraram
em 2006”, afirma o relatório. Além do baixo crescimento do Brasil, a
Venezuela também apresentou queda nas exportações em volumes. Em
valores, porém, Caracas contou com a alta do petróleo para conseguir um
aumento de 14% nas suas vendas ao exterior.
América Latina e Brics
Em valores, a América do Sul apresentou uma alta de exportações acima
do Brasil, com 20%. Já o Mercosul teve um aumento de 16% em suas vendas
em 2006. Os líderes da região foram o Chile e Peru, com taxas acima de
40%.
Ainda em valores, os dados da OMC mostram que outros emergentes também
estão tendo melhor desempenho que o Brasil, que apresentou o menor
crescimento de exportações entre os Brics (bloco formado por Brasil,
Rússia, Índia e China). A Índia teve crescimento de 21% em 2006. Russos
e mexicanos, beneficiados pela alta do petróleo, aumentaram as vendas
em 25% e 17%, respectivamente. Já a China teve um crescimento de 27% em
valores.
Entre os países próximo ao Brasil na ranking, a Áustria ficou na 23ª
colocação, com crescimento de 11% de suas exportações, e atingiu US$
138 bilhões em vendas. Os Emirados Árabes, que estavam na 24ª posição
no ano passado, passaram para a 22ª colocação, deslocando o Brasil com
as suas exportações de petróleo e o aumento geral de suas vendas de 20%.
O que o relatório ainda enfatiza é que o peso do País no comércio
mundial tem mudado pouco nos últimos anos. No começo da década, o
Brasil representava 0,9% das exportações mundiais. Em 2005, passou a
representar 1,1%. Ainda assim, o porcentual é insignificante diante do
tamanho da economia brasileira. O peso do Brasil no comércio mundial
ainda é menor do que nos anos 80. Para 2007, a possibilidade de subir
no ranking da OMC e conquistar maior espaço no comércio pode ser mais
difícil. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior
anunciou a meta de exportar US$ 152 bilhões no ano, um aumento de 10,5%
e inferior ao que foi atingido em 2004, 2005 e 2006.
Importações
As importações do País também cresceram em ritmo menor em 2006 e
chegaram a US$ 88 bilhões. A taxa foi de 14%, ante 17% de aumento em
2005 e 31% em 2004. O aumento ficou abaixo da média da região, com 18%
e no mesmo nível da média mundial de 14%. Com isso, o Brasil ocupou
apenas a 29ª colocação no ranking dos maiores importadores e vem
perdendo posições nos últimos dois anos. O Brasil representa, segundo a
OMC, apenas 0,7% das importações mundiais.
No setor de serviços, o mesmo padrão de queda de rendimento foi
registrado. Com exportações de US$ 18 bilhões em 2006, o Brasil teve um
aumento de 21%, ante 28% em 2005. Mas ainda assim está bem acima de
média mundial de 11%, ainda que o Brasil não apareça entre os 30
maiores exportadores de serviços. Entre os importadores, o País está na
27% colocação, com 1% do comércio e compras de US$ 27 bilhões, um
aumento de 20% em relação a 2005.








