Risco
Não é por obra do acaso que o Brasil não tem conseguido
atingir taxas de investimento compatíveis com um crescimento sustentado
de 5% ao ano, como pretende o governo. Mesmo tendo crescido por três
anos seguidos, a formação bruta de capital fixo atingiu 15,8% do
Produto Interno Bruto (PIB) em 2006, mas ainda assim continua entre as
mais baixas desde 1947. Essa taxa sóé superior à do biênio 1992-1993,
além do intervalo mais recente de 2002-2005.
'A taxa de
investimento é muito baixa porque o custo é muito alto', diz Pereira.
'Por que correr o risco de imobilizar sua riqueza em máquinas e
equipamentos se existe a opção de aplicar recursos em títulos do
governo com taxas de juros que rendem lucro certo?', indaga o
economista do Iedi.
'Se eu ganhasse sozinho na Mega Sena
pensaria dez vezes antes de investir na produção, a menos que fosse num
setor de commodities', ironiza o empresário Mário Bernardini, dono da
MGM Mecânica e Máquinas.
De acordo com Bernardini, para
investir, 'preciso pensar que vou pagar 15% ao ano para bancos e 40%
para o governo e, depois, brigar com as importações, que são
subsidiadas pelo câmbio, por meio da depreciação no país de origem e da
sobrevalorização aqui'. A MGM, que atua no segmento de máquinas para
mármores e granitos, deixou de exportar e de investir há alguns anos.
'Nas condições macroeconômicas atuais, não há como competir lá fora',
diz Bernardini. 'Já o mercado interno, que depende da construção civil
e esteve muito ruim, agora dá sinais de retomada.'
A pesquisa do
Iedi mostra, no entanto, que o custo do investimento fixo apresentou
queda de 1,5% em 2006, refletindo a desoneração tributária de bens de
capital ocorrida em 2005, além da redução da taxa de juros e da
desvalorização do real frente ao dólar, o que barateia a importação de
máquinas e equipamentos. 'Se o custo do investimento não cair de forma
mais significativa, o empresário vai optar por investir num país onde o
custo seja menor', adverte o economista do Iedi.
Não é de hoje
que o empresário Fuad Mattar, presidente da Paramount Lansul, uma das
principais indústrias do setor têxtil brasileiro, planeja investir na
China. Responsável no País pela grife francesa Lacoste, a Paramount
Lansul tem uma tradição de 120 anos no mercado. 'Ainda não me convenci
de que devo desistir de lutar para convencer nossos governantes da
necessidade de termos uma política industrial eficiente', conta o
empresário.
Não fosse isso, Mattar teria motivos de sobra para
jogar a toalha e tentar um negócio fora do País. 'Temos um câmbio de R$
1,87, que é ótimo para investir, mas na hora de pôr as máquinas para
funcionar, esse valor sobe para R$ 2,50, por conta da carga
tributária.' Além de caro, o crédito para investimento no País tem
prazo muito curto, de no máximo dez anos, para empresas de primeira
linha. Já nos países asiáticos, esse prazo chega a 25 anos. 'Eles (os
asiáticos) também não tributam investimentos e têm um câmbio muito
favorável para exportação', observa o empresário.'Enquanto estivermos
com um canivete e eles com uma metralhadora, não dá para competir.'
Paulo
Francini, diretor da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo
(Fiesp), observa que 'aquilo que chamamos de ambiente hostil à produção
é o mesmo que está no cenário de quem deseja fazer investimento no
País'. Para ele, entre as poucas vantagens comparativas do País nessa
área estão a terra e o clima, que favorecem investimentos em
cana-de-açúcar, papel e agronegócio.'Nenhuma indústria de transformação
escolheria investir no Brasil só por causa da nossa ginga e jogo de
corpo no carnaval e no futebol', diz, bem-humorado. 'Ninguém, está
interessado nisso, e sim em ganhar dinheiro.'








