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RS: Câmbio reduz as exportações do Estado

As exportações da indústria gaúcha caíram 2,2% em outubro, ante o mesmo período do ano anterior, e somaram US$ 1,3 bilhão, indo na contramão do desempenho nacional, que cresceu 28,7%. De acordo como presidente da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs), Paulo Tigre, um conjunto de fatores impactaram no resultado gaúcho. "O principal é a valorização do câmbio, que prejudica mais o Estado por ser intensivo em produtos industriais, onde a concorrência internacional é grande. É preciso que o governo interfira nessa guerra cambial para proteger a competitividade dos nossos produtos", afirmou o industrial.

O presidente da Fiergs destaca que o outro problema para os exportadores está no terminal do porto do Rio Grande. Neste ano, cerca de 20% dos navios estão deixando de fazer escala, aumentando os custos e causando atrasos nos prazos de entrega das mercadorias. Soma-se a ele, a redução das vendas de energia para a Argentina com a conclusão do contrato que estava em vigor há meses.

Em outubro, as vendas externas do segmento energético apresentaram forte queda. Isso porque o Estado concluiu os pedidos de energia que estavam contratados pela Argentina, o que significou menos US$ 98 milhões no mês. Os outros setores que também tiveram um fraco resultado foram derivados de petróleo e biocombustíveis (-85,2%), material elétrico (-60,9%), têxteis (-58,3%) e produtos de metal (-26,7%). Já os segmentos com as melhores performances em outubro, ante o mesmo mês de 2009, foram madeira (128,6%), máquinas e equipamentos (73,3%), celulose e papel (45,5%), metalurgia (40%), vestuário e acessórios (33,3%).

O resultado da indústria impactou nas vendas externas totais do Estado, que fecharam em baixa de 0,5% (US$ 1,4 bilhão). A situação não foi pior porque os embarques de produtos básicos (grãos, minérios, commodities) cresceram 27,7% no mês. O Rio Grande do Sul ocupou a quarta posição entre os estados exportadores, ficando atrás de São Paulo, Minas Gerais e Pará. China, Argentina e Estados Unidos compraram a maioria dos produtos gaúchos, nessa ordem de importância. Os chineses elevaram em 31,4% seus pedidos, recebendo 22,3% dos itens exportados pelo Rio Grande do Sul. Já, os argentinos e americanos diminuíram as suas compras em 20% e 41,8%, respectivamente.

As importações de produtos industrializados, em outubro, ante o mesmo mês do ano passado, subiram 22,9% e somaram US$ 1,1 bilhão, ou seja, 98% de tudo que o Estado comprou. A maioria das encomendas foi de bens de consumo semiduráveis (120%) e produtos intermediários (84,9%).

De janeiro a outubro, as vendas externas da indústria do Rio Grande do Sul cresceram 6,6%, chegando a US$ 10,9 bilhões, respondendo por 84% do total das exportações do Rio Grande do Sul. Os setores com as melhores performances foram metalurgia (103%), veículos automotores, reboques e carrocerias (44,4%), celulose e papel (43%), químicos (26,5%) e máquinas e equipamentos (25,3%). As importações do setor industrial avançaram 43,5%, somando US$ 10,5 bilhões, com foco em bens intermediários e matérias primas (71%) e bens de consumo duráveis (62%).

 

Fonte: Jornal do Comércio - RS (24/11/2010)

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