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Saldo da Balança Comercial cai 91% de janeiro a maio

De janeiro a maio de 2006 houve um superávit de apenas US$ 16,9 milhões.

A balança comercial de maio do setor têxtil e de confecções registrou um déficit de US$ 14,4 milhões, segundo a Associação Brasileira da Indústria Têxtil (ABIT). De janeiro a maio de 2006 houve um superávit de apenas US$ 16,9 milhões, enquanto no mesmo período do ano passado, o resultado fora positivo em US$ 190,9 milhões. Isto representa uma queda de 91,14% no saldo comercial do setor têxtil e de confecção no período.

Em maio, as exportações somaram US$ 148,2 milhões, com uma queda de US$ 11,5 milhões em relação a maio de 2005. Já as importações atingiram US$ 162,6 milhões, com aumento de US$ 37,3 milhões sobre maio de 2005. Este é o segundo déficit comercial mensal do setor este ano. O primeiro foi de US$ 10 milhões, em marco. Os números desagregados serão analisados e divulgados pela ABIT nos próximos dias.

De janeiro a maio de 2006, as exportações somaram US$ 834,8 milhões, com crescimento de 3,75% sobre igual período do ano passado. Já as importações acumuladas nos cinco primeiros meses de 2006 somaram US$ 817,9 milhões, com crescimento de 33,27%.

O diretor-superintendente da ABIT, Fernando Pimentel, disse que "os números refletem claramente os efeitos do câmbio valorizado, que prejudica as exportações e favorece as importações, e a falta de acordos comerciais para facilitar o acesso do Brasil aos principais mercados mundiais". Ele complementa que "se o panorama que vigorou até agora não mudar, o país poderá registrar em 2006 o primeiro déficit comercial desde 2000, adverte Pimentel".

O último déficit anual da balança comercial do setor foi registrado em 2000, no valor de US$ 384 milhões. Desde então, os elevados investimentos em modernização tecnológica das empresas têxteis e de confecções aumentaram a competitividade e os superávits voltaram a acontecer a partir de 2001.

O diretor-superintendente da ABIT diz que os empresários e trabalhadores do setor têxtil vêm alertando as autoridades para as condições de desequilíbrio na competição. "Não temos as excepcionais condições de câmbio, juros e carga tributária da China, o maior produtor mundial. Nem os acordos comerciais com tarifas zero junto aos grandes mercados dos Estados Unidos e da União Européia, já fechados pelos demais concorrentes", assinala Pimentel.

Fernando Pimentel lamenta ainda a queda de qualidade na balança comercial. Nas exportações, estão crescendo os produtos de baixo valor agregado, como as matérias-primas de fibras de algodão; enquanto os produtos manufaturados, sobretudo as confecções, perdem terreno. Já nas importações ocorre o inverso, com o estímulo à entrada de artigos confeccionados, com perda de renda e de empregos do setor produtivo.

 O diretor-superintendente da ABIT enfatiza que o setor é moderno, competitivo e criativo, como ficou demonstrado no Fashion Rio e no Fashion Business, onde todo o setor se esforça para aumentar as exportações e conquistar novos mercados. Ele espera que a divulgação desse resultado em plena semana de moda carioca, "sirva de alerta para a mudança nas políticas macroeconômicas".

(ABIT)


Fonte: www.global21.com.br

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