Setor de móveis encontra-se em mercados desfavoráveis, segundo a FIERGS
Um estudo feito pela Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do SUL (FIERGS), "A realidade do Comércio Exterior do RS”, apontou que as empresas gaúchas que destinam seus produtos ao mercado externo não estão em boa situação.
O resultado deixou evidente a dificuldade que a indústria enfrenta, principalmente devido à valorização cambial ocorrida nos últimos quatro anos.
A maioria dos setores exportadores da indústria do Rio Grande do Sul (77%), encontra-se com mercado desfavorável e com pouca margem, o que representa cerca de US$ 8 bilhões ao ano. Os segmentos assim classificados, além do moveleiro, são: alimentos e bebidas, fumo, têxteis, calçados, borracha e material elétrico. Neles concentram-se cerca de dois terços da mão-de-obra empregada no Estado. Outro grupo, que reúne 8% do valor da exportação, tais como vestuário, couros, material eletrônico, equipamentos para automação industrial, são de mercados desfavorável e sem margem.
Na fatia de mercados mais favoráveis e com alguma margem para sustentar as vendas externas, encontram-se segmentos que representam apenas 2% do total exportado pelo Estado, como refino de petróleo, plásticos e alguns equipamentos de transporte específicos. Somente o setor de indústrias químicas ficou na classificação de desfavorável e com margem, representando aproximadamente 13% do valor exportado.
A análise da "Realidade do Comércio Exterior do Rio Grande do Sul" confirma que a situação das empresas exportadoras no Estado é pior do que a do Brasil. No grupo das empresas exportadoras com mercado desfavorável com pouca ou nenhuma margem de sustentação, o índice nacional ficou em 52%, contra o 85% das empresas gaúchas.
De acordo com o presidente da FIERGS, Paulo Tigre, a indústria gaúcha vem se ajustando aos poucos ao patamar mais valorizado do câmbio, contudo, a situação do Estado é muito inferior daquela verificada pela indústria brasileira. "Por isso, os governos Estadual e Federal precisam adotar medidas capazes de amenizar esta assimetria que tem origem nas características locais de intensidade de mão-de-obra e de concorrência com o mercado chinês", afirma o industrial.
Soluções apontadas
- Articulação com governos estadual e federal para aplicação de medidas que beneficiem a competitividade das empresas, reduza os juros e aumente a oferta de crédito para investimentos com taxas mais favoráveis do que as atualmente oferecidas no mercado
- Orientação aos empreendedores para busca de novos mercados, agregação de valor aos produtos exportados e de investimentos em inovação para manter competitividade nos mercados externos
- Incentivo à realização de acordos comerciais bilaterais com novos mercados
- Integração das aduanas nas fronteiras
- Pagamento em real das exportações aos países do Mercosul
- Articulação entre empresas para contratação conjunta de serviços como de logística e de aquisição de insumos e matérias-primas
- Maior ressarcimento de créditos de ICMS aos exportadores
- Investimentos para garantir maior eficiência dos portos de Rio Grande e de Porto Alegre
Fonte: http://www.fiergs.org.br/noticia_aberta_fiergs.asp?idnoticia=1805








