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Setor de móveis também quer IPI menor

Fabricantes alegam que redução do imposto para linha branca tem feito consumidor dar preferência para troca de geladeira e fogão.

Os fabricantes de móveis não estão nada satisfeitos com a prorrogação da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) concedida na semana passada pelo governo aos setores de veículos, eletrodomésticos de linha branca e material de construção. Segundo a Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário (Abimóvel), o benefício tem feito com que o consumidor substitua a compra do móvel pela da geladeira ou fogão, e até mesmo do carro, que ficaram mais baratos.

“A nossa previsão é de uma queda de 10% a 15% no faturamento em 2009”, diz o diretor da Abimóvel em Brasília, Lipel Custodio. O setor, que reúne 15 mil empresas no país, faturou R$ 23 bilhões em 2008. De acordo com dados do IBGE, de janeiro a maio a produção de móveis caiu 15,93% na comparação com igual período de 2008. “As empresas estão com estoques acima da média e adiando projetos de ampliação.” Para 2009 estavam programados R$ 690 milhões em investimentos em todo o país, que seriam aplicados em compra de maquinário e qualificação de mão de obra.

Fabricantes de Arapongas, Norte do Paraná, também sentiram a desaceleração. Na Colorado Móveis, fabricante de racks e estantes, a queda chegou a 30% segundo um dos sócios, Valdecir Tudino, que também preside o Sindicato das Indústrias de Móveis de Arapongas (Sima). “A queda foi a mesma em outras fábricas da região. Além disso, houve redução nas exportações.”

O polo moveleiro, que reúne 165 empresas e emprega 5 mil pessoas, faturou R$ 1,13 bilhão em 2008. Desse total, as vendas externas representam 15%. “A expectativa agora é que o fim de ano reanime as vendas. O primeiro semestre é tradicionalmente mais fraco, mas esse ano foi atípico."

O setor tem feito lobby em Brasília para tentar convencer o governo a reduzir o IPI para móveis. Em reunião com o ministro do Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Miguel Jorge, a Abimóvel pediu a redução da alíquota – hoje de 5% a 10% – para zero nos próximos seis meses e, após esse período, uma equalização do IPI que incide sobre os móveis em geral, painéis de madeira e componentes. Mas o setor acabou ficando de fora do pacote anunciado na última segunda-feira. “Não entendemos”, diz Custódio. Segundo ele, a retomada da construção civil não tem influenciado positivamente na venda de móveis e o setor também tenta fazer com que a compra de móveis passe a ser contemplada com financiamentos no programa de habitação popular Minha Casa, Minha Vida.

 

Fonte: http://portal.rpc.com.br

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