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Setor moveleiro atinge US$ 1 bi em exportações


Vendas externas subiram 5,3% em 2005 e expectativa é de crescer 10% neste ano. O setor moveleiro brasileiro alcançou em 2005, finalmente, a marca histórica de US$ 1 bilhão em produtos exportados, superando em 5,3% o montante de 2004, de US$ 966,95 milhões.

O feito acontece com atraso de cerca de três anos em relação a primeira tentativa de impulsionar efetivamente o comércio exterior via Programa Brasileiro do Móvel (Promovel), elaborado em conjunto pela Associação Brasileira dos Fabricantes de Móveis (Abimóvel) e a Agência de Promoção de Exportadora (APEX), que foi transformado em 2005 para Brazilian Furniture.

"Esse número é motivo de comemoração", disse um dos participantes do grupo gestor do Brazilian Furniture, o gaúcho Renato Hansen, que espera para este ano "uma melhora contínua", disse ele,sem revelar percentual. No mercado, fala-se em crescimento de 10% a 12% nas exportações. Com recursos de R$ 18 milhões, o Brazilian Furniture consiste em uma série de ações direcionadas a prospectar oportunidades de negócios em várias partes do mundo, presença em oito feiras e vinda de importadores para participar do Projeto Comprador no Brasil. Desde que foi assinado o contrato, em setembro passado, já foram gastos 20% do total.

Mais uma vez, o principal destino do mobiliário nacional foram os Estados Unidos, que concentrou cerca de 40% do total, com US$ 392,2 milhões. Em relação ao montante registrado em 2004, de US$ 373,3 milhões, os embarques para o mercado americano apresentaram incremento de 5,1% (ver tabela). O bloco do Mercosul aparece na sexta posição no ranking das exportações com a Argentina importando do Brasil US$ 48,7 milhões, uma reação de 40,7% em relação ao ano anterior.

O pólo moveleiro de Santa Catarina, representado pelas fábricas de São Bento do Sul, essencialmente, manteve a liderança de maior exportador, com US$ 443,9 milhões, à frente do pólo gaúcho, com US$ 272,3 milhões, e de São Paulo, com US$ 104,4 milhões. Somados os três pólos concentram pouco mais de 80% do total embarcado no ano passado pelo Brasil.

Os pólos da Bahia e de Minas Gerais, registraram as maiores altas percentuais, de 50,5% e 35,4%, respectivamente. "Até 2002 não exportávamos quase nada. O programa começou em 2003 e hoje conta com um grupo de 20 empresas capacitadas", disse o presidente do Sindicato Interestadual da Marcenaria de Ubá (Intersind), Rogério Gazolla, destacando que o pólo de Ubá, no Sul de Minas, reprsenta 50% do ICMS do setor no estado. As cerca de 400 empresas de nove cidades vinculadas ao pólo são micro e pequenas fábricas com média de 50 funcionários.

"Nesses três anos os produtos melhoraram em qualidade e ganharam mais diversidade, alcançando outras faixas de consumo. São móveis para escritório e residencial, como dormitórios e salas, comercializados em sua maioria nos países do Mercosul, alguma coisa no México e África do Sul. Agora estamos abrindo os Estados Unidos", disse Gazolla, que é vice-presidente da Abimóvel. No âmbito do Brazilian Furniture ele havia feito previsão de crescimento de 20% para 2005.

A participação percentual de Minas nas exportações totais brasileiras subiu de 0,9% em 2004, para 6,7% o ano passado. "Dos onze Arranjos Produtivos Locais (APL) do ministério do Desenvolvimento, o de Ubá é modelo", afirmou Gazolla.

O pólo catarinense, ao contrário, perdeu participação de 1,5 ponto percentual, recuando de 45,1% em 2004 para 43,6% em 2005. No pólo gaúcho a queda foi um pouco maior, de 2,1 pontos percentuais, caindo de 28,8% em 2004, para 26,7% o ano passado. "No ano passado não estávamos concentrado no comércio exterior. O projeto começa com mais ênfase agora, com foco na América Central e América do Sul", informou o diretor da Arvy Indústria de Móveis, de Bento Gonçalves, Marcos Lazzarotto, acrescentando que já aderiu ao Brazilian Furniture.

Fonte: Guilherme Arruda (Gazeta Mercantil)
 
 

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