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Tecnologia é a base da nova economia mundial

A crise internacional recente ajudou a acelerar o ocaso do modelo de economia dominante desde 1979 e que tinha como combustível principal a crescente ascensão da especulação financeira. Esta é a tese do economista da Fundação de Economia e Estatística (FEE) Enéas de Souza, que apontou, na última Carta de Conjuntura, os alicerces de uma “nova economia” em gestação.

A “nova economia” renegaria, propôs Souza, indústrias e fontes energéticas tradicionais a um segundo plano.

“A economia mundial está mudando. A liderança da era econômica do automóvel e do petróleo muda para a das novas tecnologias de informação e comunicação”, descreve o economista. Para o especialista, sentenciando que a crise mundial ainda não terminou, uma das raízes dessa mutação é o descrédito dos investidores nos papéis fortemente e artificialmente alavancados, combustível da recente turbulência. Dificuldades para obtenção de taxas mais elevadas de crescimento para economias como a americana, europeia e japonesa também alimentariam essa transição.  

Já o Brasil, rico em minérios, novas reservas de petróleo graças ao pré-sal e alimentos, despontará, segundo o economista, como um dos grandes players no mercado mundial. Ele concorda que a composição de produtos está mais ao gosto da velha economia recente do que ao da nova. Souza reforça que é preciso maior investimento público direto na produção ou por meio da oferta de recursos para empresas privadas, como a política turbinada desde 2009 pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (Bndes), para reduzir a distância da indústria nacional em relação às grandes potências em tecnologia.

É o que Souza chama de neodesenvolvimentismo, neologismo que revigora a maior inserção do Estado no impulso ao setor produtivo, marca das políticas econômicas pré-anos 80. Dentro da atual política econômica, Souza defendeu retomada da redução dos juros básicos (Selic) para frear a valorização do Real, que gerou nova preocupação no setor produtivo devido à atração de investidores externos para a compra de papéis da Petrobras. 

Fonte: http://jcrs.uol.com.br - 13/9/2010

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