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A Importância da Logística no Comércio Internacional

A modernização e internacionalização da logística nos últimos vinte anos foram fontes de importantes ganhos de produtividade para as economias avançadas.

Porém, entre os países em desenvolvimento, apenas nos anos recentes, o aperfeiçoamento da logística tornou-se objetivo explícito das políticas de desenvolvimento. Englobando um conjunto de atividades essenciais - transporte, armazenagem, consolidação de cargas, desembaraço alfandegário, sistema de distribuição e pagamentos - e envolvendo inúmeros agentes públicos e privados, a logística é a espinha dorsal do comércio internacional.

A Carta IEDI de hoje (03/02/2010) apresenta uma síntese dos resultados da pesquisa Connecting to compete: Trade logistics in the global economy - realizada pelo Banco Mundial, a qual avalia, em perspectiva comparada, a qualidade da logística do comércio internacional, ou seja, a capacidade de transportar produtos e conectar indústrias e consumidores aos mercados internacionais. O estudo cobre 155 países e apresenta o ranking do índice de desempenho em logística comercial (LPI, na sigla em inglês), construído a partir de indicadores para seis fatores que influenciam a qualidade da logística: eficiência alfandegária, qualidade da infraestrutura de transporte, facilidade e custo de embarques, competência e qualidade da indústria logística local, capacidade de rastrear carregamentos, pontualidade.A análise comparativa revela que, para países com mesmo nível de renda per capita, aqueles com melhor desempenho na logística experimentam crescimento econômico adicional, da ordem de 1% no PIB e 2% no comércio. Esses resultados são especialmente relevantes para os países em desenvolvimento no momento atual. Investir na melhoria da logística comercial permitirá acelerar a recuperação ante os efeitos da crise global, bem como o fortalecimento de suas posições competitivas. Outra conclusão do estudo é que os países com os melhores desempenhos em logística, ou seja, com LPI mais elevados, são aqueles que consistentemente investem em reformas e melhorias.

Nessa segunda edição da pesquisa, a Alemanha se encontra em primeiro lugar no ranking, e em último lugar, a Somália, enquanto o Brasil, tendo avançado 20 posições em relação à pesquisa anterior de 2007, ocupa o 41º lugar. Embora ainda esteja atrás de vários países emergentes, como China, África do Sul, Malásia e Turquia, o Brasil assumiu a liderança na América Latina, ultrapassando Argentina, Chile e México.

Ainda em relação ao Brasil, ressalte-se que os principais gargalos domésticos à logística comercial são eficiência alfandegária e embarque internacional, e não, contrariamente ao senso comum, a infraestutura. Nesses quesitos, o País ocupa, respectivamente, a 82ª e 65ª posições (37ª em infraestrutura). O estudo destaca que o país avançou nas reformas e logrou reduzir o "custo Brasil".

Os países de alta renda dominam o topo do ranking. A maioria deles pode ser considerada como os principais players do setor, ocupando posição de destaque em várias das cadeias globais e regionais de suprimento. Em contraste, os países com as piores performances são praticamente todos de renda baixa ou média-baixa, com concentração geográfica no Continente Africano. Na maioria dos casos, esses países estão à margem das cadeias de oferta regional e global.

A pesquisa procurou auferir o desempenho dos países em logística comercial também na perspectiva doméstica. Enquanto a avaliação qualitativa do país nas seis áreas-chave é realizada pelos seus parceiros comerciais, os profissionais de logística que operaram no exterior, a avaliação doméstica é realizada pelos profissionais de logística que operaram dentro do país. A avaliação doméstica cobriu aspectos qualitativos e quantitativos mais detalhados em 130 países, como custo local, tempo de execução dos processos, entre outros, permitindo identificação de gargalos.

Na comparação com resultados verificados em 2007, o estudo destaca que houve avanço, ainda que modesto, em áreas-chave como: alfândega, utilização de tecnologia de informação no comércio e investimento em serviços privados. Igualmente, a pesquisa apontou novas áreas que necessitam de atenção, como a coordenação das agências envolvidas no desembaraço aduaneiro e a qualidade do transporte doméstico rodoviário de carga e dos serviços de despacho aduaneiro.

Os resultados da pesquisa mostram que o nível de renda não é o único determinante do ambiente de logística dos países. A ação proativa das políticas governamentais é igualmente importante. Mesmo em países de baixa renda, os formuladores de políticas podem fazer muito para melhorar o desempenho da logística comercial.

CARTA IEDI N° 400 (3/2/2010)

Fonte: www.global21.com.br

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