A Logística como Estratégia de Desenvolvimento
O desafio da competitividade ultrapassa as fronteiras das empresas e permeia todas as assim denominadas cadeias de suprimento, desde os fornecedores de matérias primas e chegando até aos consumidores finais.
Em outras palavras, uma empresa prestadora de serviços ou fabricante de qualquer produto esta competindo não somente com outras empresas congêneres e sim a sua cadeia de suprimentos esta competindo com as respectivas cadeias de suprimentos de seus concorrentes.
Assim a gestão das cadeias de suprimento tornou-se pedra fundamental
para a sobrevivência no mundo globalizado e exige profundas mudanças
nas empresas e especialmente no ambiente de negócios onde atuam,
demandando infra-estrutura, políticas publicas e competências cada vez
mas adequadas ao momento do “mercado”. Negócios são como água...sempre
vão mais onde é mais fácil escoar, em outras palavras, se instalam onde
existam mais favoráveis de desenvolvimento e sustentabilidade. Podemos
então ter uma visão mais ampla da competitividade de municípios e dos
estados, no contexto nacional e global, que podem atrair investimentos
e negócios de qualquer parte do mundo.
Neste contexto, o estado do Espírito Santo reúne condições potenciais
para o desenvolvimento de sua “Logística”, que deve ser aqui entendida
como sendo o conjunto de sua infra-estrutura logística (portos,
aeroportos, dutovias, ferrovias, rodovias, armazéns, terminais
intermodais, centros de distribuição e estruturas de apoio às operações
de armazenagem distribuição e transportes de carga) e de seus
prestadores de serviços logísticos (empresas que atuam no segmento de
serviços logísticos de suprimentos, armazenagem, distribuição e
transporte).
O estado do Espírito Santo ocupa posição de destaque no contexto do
comércio internacional e é a segunda maior porta de saída de
mercadorias do país, em valor, o que significa que 9,04 % de todas as
exportações do país, escoam pela sua Logística. Esta marca, contudo
carrega sinais de exaustão em suas principais estruturas, notadamente
em rodovias, aeroportos, portos e ferrovias, que requerem ações
concretas do governo e iniciativa privada, tanto para o necessário
suporte à interiorização de seu desenvolvimento, para sua integração
regional com outros Estados da Federação, como também para sua inserção
global.
Os APL´s - Arranjos Produtivos Locais, requerem serviços logísticos
cada vez mais ágeis, de melhor qualidade e de menor custo, demandando
portanto soluções de adequação das infra-estruturas e das competências
logísticas aqui instaladas. O aumento da demanda por serviços
logísticos dedicados a exportação de cargas dos arranjos produtivos do
ES e de outros estados da Federação, exigem soluções rápidas e
eficazes, caso contrario vão motivar a implantação de soluções
logísticas nos estados limítrofes...é como a água...sempre escorre para
o lado mais fácil.
A evasão de serviços logísticos para outros estados, por parte de
empresas instaladas no Estado do Espírito Santo e em outros estados da
Federação é uma realidade de amplo conhecimento e que destoa da vocação
natural do estado, notadamente nas operações intermodais e de suporte
ao modal marítimo. Somente para ilustrar, os números de exportação do
setor de Café são intrigantes: em 2002 o Porto de Vitória escoou de 8
milhões de sacas, enquanto o Porto do Rio de Janeiro escoou 3,8
milhões, uma diferença de 4,2 milhões de sacas favorável ao Espírito
Santo. Esta diferença se inverteu e atualmente o Porto do Rio de
Janeiro já está escoando 5% a mais que o Porto de Vitória. E tudo isto
sem que o Estado do Rio de Janeiro seja produtor de Café.
O momento virtuoso em que vivemos, especialmente quanto às perspectivas
do petróleo e gás natural e a uma série de medidas que vem sendo
empreendidas pelos agentes públicos e privados responsáveis pelo
desenvolvimento local, são coadjuvantes essenciais para se estabelecer
um conjunto de ações coordenadas, que permitirão a consolidação
institucional, das infra-estruturas e das competências logísticas aqui
instaladas.
Assim as ações de redução da evasão de cargas e serviços logísticos
vocacionados ao comercio exterior para outros estados, a ampliação da
captação de cargas da Hinterlândia, vocacionadas ao comercio exterior e
doméstico (SUL e NE), a melhoria da satisfação dos usuários das
infra-estruturas portuárias do ES e a integração regional para suporte
aos arranjos produtivos locais notadamente do Café, Rochas Ornamentais,
Fruticultura, Petróleo e Siderúrgico, são essenciais para o futuro do
Estado.
Neste cenário desafiante os trabalhos de construção da Visão
Estratégica do Espírito Santo para os próximos 20 anos, denominada
Espírito Santo 2025, contribuem para que nosso Estado seja reconhecido
como “referencia em Logística”, tanto por sua infra-estrutura como
também pelos serviços logísticos aqui ofertados. O Segmento de serviços
Logísticos para o Estado do Espírito Santo não é somente vocação
natural, é sobretudo questão de sobrevivência.
Este é o momento de reunir de forma sinérgica e construtiva, idéias,
forças e sobretudo trabalho da sociedade, governos municipais e
estaduais, na construção de condições que proporcionem a construção de
um Espírito Santo mais competitivo, integrado regionalmente e sobretudo
reconhecido como Referencia Logística. Seja bem vindo 2025 !
Por Nyssio Ferreira Luz








