BID aponta 12 empreendimentos para Santos
Investimentos totalizam US$ 3,48 bilhões até 2024.
A expansão do Porto de Santos passará pela construção ou remodelação de
12 novos terminais portuários com investimentos estimados em US$ 3,48
bilhões, segundo o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento). São
cinco instalações para movimentação de contêineres, três para granéis
sólidos, duas para líquidos e duas para passageiros. A projeção integra
estudo financiado pela instituição, divulgado ontem, dia 2, e está
sustentada na previsão, otimista, de que a demanda de cargas rumo ao
complexo santista triplicará até 2024, saindo das atuais 82 milhões de
toneladas movimentadas em 2009 para 230 milhões de toneladas.
Também no caso do escoamento de contêineres - o filão do setor -, a
expectativa é que nos próximos 14 anos o volume destinado a Santos
triplique, chegando a 9 milhões de Teus (um contêiner de 20 pés). Hoje, a
oferta do complexo é para 3,1 milhões de Teus. Segundo o ministro dos
Portos, Pedro Brito, o objetivo é "construir com segurança o plano
diretor do Porto de Santos". O levantamento do BID terá revisão anual e
levou em conta critérios como o PIB, preços no mercado mundial, câmbio,
novas atividades e crescimento setorial.
A lista do BID contempla algumas alternativas de investimentos que
poderão ou não ser seguidas pela Codesp, a estatal que administra o
porto. Os terminais de contêineres seriam erguidos: na Ponta da Praia
(atual corredor de exportação de grãos); no Saboó (com a unificação de
áreas cujos contratos estão prestes a expirar, dando ganho de escala);
na área de Barnabé-Bagres; na Alemoa; e em Prainha. Os de granéis
sólidos, em Conceiçãozinha, Itapema e na área de Barnabé-Bagres. Os de
líquidos - cuja oferta é hoje insuficiente para abarcar a demanda -, na
Ilha de Barnabé e na Alemoa. Finalmente, os dois terminais de
passageiros seriam feitos em Outeirinhos e no Valongo.
"O estudo é orientativo, não é obrigatório", disse o presidente da
Codesp, José Roberto Serra. De acordo com ele, o levantamento é uma das
ferramentas que serão utilizadas para elaborar o PDZ (Plano de
Desenvolvimento e Zoneamento) do porto, instrumento que definirá a
vocação das áreas a serem concessionadas e dará a largada a uma nova
temporada de arrendamentos. O PDZ deverá estar pronto em até seis meses.
Dentre os terminais listados pelo BID e que desde já a Codesp avalia
ter viabilidade, o primeiro a ser licitado será o de contêineres da
Prainha, cuja concorrência será aberta no segundo semestre. "Já existem
empresas interessadas em participar", disse Serra. Prainha terá
capacidade para movimentar 1 milhão de Teus por ano. O investimento
estimado é de US$ 365 milhões.
Outros terminais que serão licitados ainda neste exercício são o
Tegla (Terminal de Granéis Líquidos da Alemoa) e o de granéis em
Barnabé-Bagres. Além das propostas elencadas pelo BID, a Codesp recebeu
outras quatro de empresas interessadas em explorar terrenos nesta última
região, considerada a expansão natural do porto porque deve contemplar
um novo complexo de terminais que dobrarão a capacidade do cais.
"Temos de capitanear esses investimentos por meio de arrendamentos
nos próximos quatro ou cinco anos para que essa oferta de infraestrutura
esteja plenamente de acordo com o crescimento da economia", destaca
Serra.
OBRAS EM ANDAMENTO
O rol de investimentos listados pelo BID não leva em conta as obras
já iniciadas no complexo, que totalizam mais de R$ 4 bilhões e, quando
finalizadas, ampliarão a capacidade de movimentação de Santos para mais
de 5 milhões de Teus. Isso será possível a partir da entrada em operação
dos terminais da Embraport e BTP (Brasil Terminal Portuário) e a da
ampliação do Tecondi (Terminal para Contêineres da Margem Direita).
Os demais empreendimentos em andamento são os terminais da NST (para
suco de laranja); da Itamaraty (granéis sólidos); as avenidas
perimetrais (vias expressas nas duas margens do porto); a dragagem de
aprofundamento e derrocagem de pedras; e o sistema inteligente de
controle de tráfego de navios (o VTMIS).
"Aí, passamos para a segunda etapa do debate, que são os acessos
terrestres fora dos limites do porto. Portanto, precisamos pensar em uma
lógica conjunta, desenvolver dragagem, cais, oferta de infraestrutura,
acessos rodoviários e ferroviários dentro do porto. Mas, sobretudo,
acessos ferroviários, rodoviários e dutoviários nas origens", destacou
Serra.
"Em relação à acessibilidade terrestre, se nada for feito será o
verdadeiro caos na Baixada Santista", afirmou o ministro Brito. Para
tentar dar respostas a esse novo gargalo que será deslocado de dentro do
porto para os acessos ao complexo, a Codesp contratou um estudo da USP
(Universidade de São Paulo).
No cardápio de medidas a serem adotadas está a racionalização da
matriz de transporte responsável pela chegada das cargas - quase 85% de
tudo que se destina a Santos chega de caminhão. "O ideal é dobrar a
participação da ferrovia, hoje, com apenas 20% da fatia de movimentação
do porto", disse o diretor de Planejamento da Codesp, Renato Barco.
"Serão necessárias mais concessões (férreas), expansão e novos
investimentos. Ou seja, para o Brasil crescer no seu programa de
comércio internacional, terá de mudar sua matriz de transporte", disse
Brito.
TETO
Para Brito, hoje Santos ainda não perde carga, apesar de estar
chegando próximo ao teto de operação - de 100 milhões de toneladas.
"Poderá perder em granéis na hora em que os portos do corredor Norte do
País, especialmente Itaqui (MA) e Santarém (PA), estiverem aptos a
oferecer possibilidade de escoamento. Mas essa perda significará ganho
de competitividade para a economia brasileira, porque lá se tem uma
logística muito mais barata para grande parte dos grãos, evitando trazer
essas cargas por estrada para Santos e Paranaguá", finalizou.
Fonte: Guia Marítimo (03/02/2010)









