Obras em Santos começam no dia 15 de fevereiro
Programa Nacional de Dragagem aumentará capacidade de movimentação do País para mais de 1 bilhão de toneladas em 2011.
O ministro dos Portos, Pedro Brito, deu ontem o mais novo prazo para o
início das obras da dragagem de aprofundamento do Porto de Santos para
15 metros - o mais esperado projeto de infraestrutura aquaviária do
governo federal. Será no dia 15 de fevereiro, com previsão de término em
22 de março de 2011. Depois, portanto, da data-limite com a qual a SEP
(Secretaria Especial de Portos) trabalhava. "Mais do que isso, não.
Talvez até antes", estimou Brito, durante o workshop Portos - Avanços em
Questão, realizado em Brasília.
A intenção da SEP era entregar os 17 complexos que constam do PND
(Programa Nacional de Dragagem) dragados até dezembro deste ano. Não
será possível. "O sistema de licitação que a legislação impõe no Brasil é
demorado. Isso faz parte do processo, não há como ser diferente. Então,
percalços no caminho ou até mesmo no licenciamento ambiental, que tem
de ser cumprido, trouxeram atrasos, mas de maneira alguma comprometem a
eficiência do Programa", afirmou o ministro.
No caso de Santos, responsável por escoar 26% da balança comercial
brasileira, o processo atrasou porque a liberação orçamentária para o
gerenciamento ambiental da obra só saiu no final de dezembro - a licença
de instalação do Ibama, último crivo burocrático, fora emitida um mês
antes. Serão retirados do leito do estuário 21 milhões de metros cúbicos
(sendo 14 milhões para o aprofundamento e 7 milhões para manutenção).
HUB PORT
A expectativa é que a dragagem em Santos mude a lógica das linhas
marítimas que escalam a costa leste da América do Sul ao permitir a
atracação de navios de até 9 mil Teus - a maior classe de conteineiro
que frequenta o complexo hoje é a família "Monte", da Hamburg Süd, cujas
embarcações têm capacidade nominal para 5.500 Teus. De Santos, a carga
será redirecionada para complexos menores, estimulando a navegação de
cabotagem.
Além disso, assegura Brito, a primeira consequência do
aprofundamento de Santos será a redução do frete marítimo para o
embarcador, pois o custo unitário da carga cairá em razão do ganho de
escala. Por exemplo, ao invés de destacar duas embarcações de 4.500 Teus
a operação poderá ser feita com uma de 9 mil Teus, significando menos
gasto com tripulação, atracação e desatracação e operação no porto,
entre outros.
O Programa Nacional de Dragagem está orçado em R$ 1,5 bilhão. Quando
completo, aumentará em 30% o potencial de movimentação dos principais
portos brasileiros, que em 2008 ficou próxima de 780 milhões de
toneladas. Levando em consideração que o Programa só contempla 17 dos 34
portos públicos, no mínimo, a capacidade do País com as dragagem feitas
ultrapassará 1 bilhão de toneladas em 2011.
Para atrair tais cargas, a SEP está elaborando o PNLP (Plano
Nacional de Logística Portuária), a ser lançado no próximo mês. "A
lógica mudou. Com esse plano o governo oferecerá antes a infraestrutura,
que fomentará a demanda", avaliou o subsecretário de Planejamento e
Desenvolvimento Portuário da SEP, Fabrizio Pierdomenico. "Ao melhorar a
capacidade portuária estamos diminuindo o custo, melhorando a
competição. Estamos preocupados em ofertar capacidade para que o porto
não seja um gargalo para o País", finalizou. (Mais informações na edição
impressa do Guia Marítimo).
Fonte: Guia Marítimo (15/01/2010)








