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“Juro alto trava crescimento”, diz economista

Brasília – Ao fazer um balanço do primeiro mandato do governo do presidente Lula, o economista chefe do Instituto para Desenvolvimento Industrial (Iedi), Edgard Pereira, disse que a alta taxa de juros foi o principal entrave para que a indústria brasileira não apresentasse crescimento maior.

    “Se a taxa de juros caminhar para um patamar mais aceitável, a economia cresceria a taxas maiores e sem riscos, porque não há indicação de que uma taxa de juros mais baixa levaria à retomada da inflação”, afirmou.

     Segundo Pereira, no ano passado a taxa de juros nominal ficou, em média, em 14,5% ao ano. Ele acrescenta que, considerada a inflação, há um valor de juro real superior a 11% ao ano. “É maior, por exemplo, que os juros do mercado norte-americano, que está em torno de 5%.” Na avaliação dele, quando a taxa de juros real baixar, os investimentos voltarão ao país. “Se o governo manter a política praticada no primeiro mandato, vamos para um crescimento de 2,5% a 3% ao ano. Neste caso, ao final do mandato, estaríamos muito mais dependentes de um fornecimento de bens importados”, afirmou.

     Sobre a balança comercial, Pereira disse que o grande volume de importações no Brasil pode indicar uma “incipiente desindustrialização” no país, fruto, principalmente, da “invasão” de produtos chineses.



Fonte: Correio do Povo - Ano 112, nº 094 - 02/01/2007

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