Abimóvel quer abrir canais de conversação entre fabricantes de painéis para móveis e governo
A Abimóvel (Associação Brasileira da Indústria do Mobiliário) quer
evitar que o Governo Federal cancele a redução do IPI (Imposto sobre
Produto Industrializado) concedida em novembro para móveis e painéis de
madeira. Para isso quer estabelecer um diálogo entre o Ministério da
Fazenda e os fabricantes de painéis de madeira que, mesmo com o
benefício fiscal, aumentaram os preços em até 8,5%, desde o início deste
ano. A decisão coloca em risco a continuidade da medida, que vale até
31 de março.
“É uma situação delicada porque houve uma quebra de acordo com o
governo. A Abimóvel vem lutando por isso desde 2007 e não podemos deixar
que tudo tenha sido em vão. Vamos fazer o possível para sensibilizar o
setor fabricante de painéis de que a redução do IPI é fundamental para
toda a cadeia produtiva”, afirmou José Luiz Diaz Fernandez, presidente
da Abimóvel. Só em 2009, para que o benefício virasse realidade, ele
esteve reunido com lideranças governamentais tais como o ministro do
Desenvolvimento, Miguel Jorge, o ministro do Trabalho, Carlos Luppi e o
presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e
Social), Luciano Coutinho.
A expectativa era de que, com a redução do IPI, o setor iniciasse uma
recuperação, visto que, entre maio e outubro, teve queda de até 10%
mensais. No mesmo período, também beneficiada pela diminuição do
imposto, a linha branca (eletrodomésticos de grande porte como fogões e
geladeiras) registrou aquecimento de vendas de até 25%. ‘Esperamos um
aumento de até 5% mensais nas vendas até o final do benefício, mas, para
isso, é preciso que todos estejam engajados e cientes da importância de
se cumprir o acordo”, ressaltou Fernandez. Os painéis representam cerca
de 60% do valor dos móveis populares no varejo.
A Abimóvel quer evitar, ainda, que se abra uma guerra aos fabricantes
de painéis, mas vem recebendo pressões nesse sentido. Tanto é que pode
pedir esta semana que o Imposto de Importação das chapas seja reduzido,
para se estabelecer um clima de preços mais competitivos no mercado.
“Caso o diálogo não seja possível, vamos fazer de tudo para que a
confiança não seja quebrada. Para isso, precisamos manter o acordo de
diminuir os preços dos móveis, que foi um pedido pessoal do ministro da
Fazenda, Guido Mantega”, disse Fernandez.
Cadeia Produtiva
No Brasil, a cadeia produtiva do setor moveleiro é formada por oito
indústrias de painéis de madeira e mais de 17 mil de móveis,
responsáveis pela geração de aproximadamente 260 mil empregos formais,
sendo a nona força de trabalho no país, segundo o IBGE. Merece destaque,
também, o fato de que 90% dos insumos dos móveis são produzidos no
país, sendo 100% de madeira de reflorestamento provenientes de 500 mil
hectares de florestas plantadas, segundo pesquisa realizada pela
Abimóvel. Isso promoveu investimentos de mais de R$ 2,4 bilhões nos
últimos cinco anos no Brasil, com crescimento acima de 80%, entre 2004 e
2008.
O setor foi abalado, no entando, pela crise econômica que eclodiu no
segundo semestre de 2008, freando um pouco o otimismo do mercado, que
registrava um faturamento de R$ 27 bilhões no ano, superior aos R$ 22
bilhões de 2007. Em 2009 houve uma queda de 10% nos negócios internos,
principalmente por conta do aumento de vendas de eletrodomésticos e
automóveis, agraciados com benefícios fiscais oferecidos pelo governo
como a redução do IPI.
“Registramos cerca de 30 mil. demissões nos empregos diretos. Isso
siginficou uma perda de 11% da força de trabalho, principalmente em
empresas exportadoras. Uma tradicional empresa de São Bento do Sul, por
exemplo, teve que fechar as portas depois de 50 anos no mercado”,
explicou Fernandez.
Fonte: Agência Sebrae de Notícias (14/01/2010)








