Análise preocupante da Funcex
A Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex), analisando dados de 2006, apresenta resultados interessantes, mas preocupantes, quando se compara o quantum exportado e seu valor.
As exportações tiveram um crescimento, em relação ao
ano anterior, de 12,5% em preço, mas de apenas 3,3% em volume; no caso
das importações ocorreu o contrário: 7% de aumento nos preços e 16,1%
no volume.
O estudo da Funcex, divulgado anteontem, é mais
interessante quando examina a evolução do comércio exterior por
categoria de usos. Parece indicar que os exportadores, afetados pelo
câmbio - pois o real se valorizou 11% em relação ao dólar no ano -,
procuraram compensar a redução do volume exportado por um aumento dos
seus preços. Houve aumento do volume exportado apenas no item
combustíveis-petróleo, de 25%, e nos bens intermediários, açúcar e
alumínio, de 4,5%. Em outras categorias houve queda do quantum,
compensado por aumento de preços: bens de capital (-0,6% e +6,2%), bens
duráveis (-7,3% e +12%), bens não-duráveis (-2,8% e +14,8% ). Isso
reflete a forte demanda mundial de alguns produtos.
A evolução
do quantum dos bens manufaturados nos últimos anos é mais preocupante:
em 2003 teve crescimento de 21%; em 2004, de 26%; em 2005, de 11%; e em
2006, de 2%. Se houver um afrouxamento da demanda mundial, que se
traduziu no ano passado em aumento das exportações de produtos básicos
- minérios e petróleo, principalmente (60% no quantum e 9,4% nos
preços) -, o conjunto das exportações poderia sofrer um grande
desgaste, mas não neste ano ainda.
No caso das importações, os
dados são mais impressionantes e dão um alerta a respeito dos efeitos
da taxa cambial. O maior aumento do volume importado foi de bens de
consumo duráveis: 73,5%, cujos preços tiveram aumento de apenas 5,3%.
São bens normalmente produzidos no Brasil. Merece destaque o
crescimento das importações de carros de passageiros (114%).
A
importação de bens de capital aumentou em volume 24% e em preços 0,8%,
evolução altamente favorável para o Brasil, enquanto a importação de
combustíveis cresceu 4,6% em volume e 24,6% em preços.
O governo
não está preocupado com a pressão que um aumento da demanda poderá
exercer sobre os preços, mas convém observar que é a possibilidade de
importar que explica essa tranqüilidade.
Fonte: Sistema de Informações IEA/Funcex - O Estado de São Paulo








