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Apostas de dólar fraco por mais um ano

O dólar registrou alta de 0,83% ontem, para R$ 2,17, na sua segunda valorização consecutiva. O movimento foi considerado técnico e acompanhou a apreciação da moeda americana no mercado internacional em relação ao iene e euro.

"A pesquisa 'Focus' feita pelo Banco Central no dia 10 de novembro e divulgada ontem mostra que as apostas dos economistas vão no sentido contrário, de um dólar mais fraco neste ano e em 2007. "Os analistas de mercado continuam incorporando em seus cenários um quadro mais favorável para as contas externas", diz Nilson Teixeira, diretor de pesquisa para mercados emergentes do Credit Suisse.

Nesta semana, a mediana das projeções para o superávit comercial aumentou de US$ 44,5 bilhões para US$ 45 bilhões em 2006 e foi mantida em US$ 38 bilhões para 2007. A expectativa de maior fluxo positivo líquido de dólares se traduziu em revisão para baixo na taxa de câmbio, de R$ 2,16 para R$ 2,15 no fim de 2006 e de R$ 2,28 para R$ 2,25 no fim de 2007. Teixeira lembra que o ingresso de dólares para a compra de ações e de títulos de renda fixa de longo prazo (acima de um ano) também tem sido forte neste ano e atingiu US$ 9,385 bilhões até setembro, já ultrapassando os US$ 6,8 bilhões de todo o ano passado. 'A isenção de Imposto de Renda para os estrangeiros comprarem títulos públicos ajudou, mas também tivemos muitos IPOs (ofertas públicas inicias de ações)', comenta. O economista calcula que esse investimento em ações e títulos de longo prazo possa chegar a US$ 11 bilhões ou US$ 12 bilhões em 2006, menos do que os US$ 16 bilhões que chegou a estimar no início do ano. 'Com o estresse de maio, o ritmo de IPOs dos primeiros meses de 2006 não se manteve', afirma.


Projeções para IPCA de 2007 caem para 4,12%

Também no 'Focus' divulgado ontem houve um aumento na mediana das expectativas para a inflação medida pelo IGP-DI em 2006, de 3,19% para 3,70%. "A nosso ver, a transmissão desse ajuste de preços do atacado para o varejo tende a manter a inflação em patamar elevado no grupo alimentação e bebidas no IPCA de novembro, mas não altera a nossa previsão de IPCA de 2,8% para 2006", diz Teixeira, em relatório. Para ele, a alta da inflação nos alimentos é um evento pontual que não altera o cenário benigno para o IPCA em horizontes mais longos. A visão de Teixeira foi reforçada também pelos demais economistas. No "Focus" divulgado ontem, o IPCA projetado para este ano subiu de 3,00% para 3,05%, mas a mediana para 2007 foi reduzida de 4,14% para 4,12% ao ano, bem abaixo da meta de 4,5% ao ano. Ao não ver pressões maiores no IPCA, o mercado manteve as apostas de corte de 50 pontos básicos nos juros Selic na reunião do Comitê de Política Monetária do dia 29 de novembro. Ontem, os juros futuros terminaram o dia estáveis, com os contratos de "swap" (troca de juros prefixados por pós-fixados) a 13,05% ao ano para o prazo de 1 ano."


Por Cristiane Perini Lucchesi - Valor Econômico

Fonte: Sistema de Informações IEA/Funcex - 14/11/2006



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