Atividade industrial do RS fecha positiva em 2008, mas com forte desaceleração
Faturamento gaúcho de dezembro caiu 10,4%, enquanto o nacional subiu 1,4%.
A atividade industrial no Estado cresceu 5,4% em 2008, mas mostrando
desaceleração em relação a 2007 (6,2%). Além disso, o indicador
precisaria ter expandido cerca de 10% para atingir o mesmo patamar de
2004. Como isso não aconteceu, a indústria deverá encerrar um período
de crescimento sem ter recuperado as perdas do ciclo recessivo que o
antecedeu."Entramos em uma nova crise, sem ainda pagar a conta da
anterior. É isso que torna esse momento econômico tão peculiar e
crítico para o setor gaúcho", afirmou o presidente da Federação das
Indústrias do Rio Grande do Sul (FIERGS), Paulo Tigre, ao divulgar os
resultados do Índice de Desempenho Industrial (IDI-RS) da entidade,
nesta quarta-feira (4).
O resultado de 2008 foi fortemente influenciado pelo aumento das
compras (8,5%) e da massa de salários (8,2%). No mesmo ritmo seguiram o
emprego industrial e as horas trabalhadas, com expansão de 4,6% e 5,9%,
respectivamente. O desempenho mais tímido ficou por conta do
faturamento real, que cresceu apenas 2,5% no período.
Apesar dos dados positivos, a análise do ano esconde o movimento de
deterioração verificado no último trimestre de 2008. Os resultados
revelam que, desde outubro, a indústria gaúcha vem sentindo os sinais
da crise financeira internacional, que se mostraram ainda mais fortes
no mês de dezembro. Depois de ter recuado 8,8% em novembro comparado a
outubro, o IDI-RS voltou a cair em dezembro, apresentando uma queda de
7,5% em relação ao mês anterior. A diminuição da atividade é
disseminada em praticamente todos os setores e variáveis analisadas.
Na comparação com o mesmo mês de 2007, o IDI-RS em dezembro apresentou
queda de 7,3%, destacando-se setorialmente metalurgia básica (-39,3%),
produtos químicos (-37%) e coureiro (- 20,7%) como os piores
resultados. O faturamento real da indústria gaúcha recuou em 10,4%,
enquanto o índice no Brasil teve uma majoração de 1,4%, e as compras
diminuíram 23,8%. Os números ainda não revelaram mudança significativa
no emprego nem na massa de salários, porém a queda nas horas
trabalhadas (-2,8%) e na utilização da capacidade (-4,8%) "sinalizam
que a produção está sofrendo limitações e que efeitos sobre o mercado
de trabalho, caso o cenário não se modifique, certamente serão
verificados", completa o industrial.
De acordo com o presidente da FIERGS, "os governos precisam tomar
medidas para preservar empregos, garantindo a atividade das empresas.
Aumento do prazo de pagamento de impostos e reduções de tributação são
alternativas que precisam ser avaliadas urgentemente", salientou Tigre,
destacando que "a diminuição da taxa de juros certamente é um ponto
positivo para a dinâmica da economia brasileira nesse momento, mas é
fundamental a disponibilização de linhas de financiamento ao capital de
giro de modo que o setor produtivo possa manter-se em pleno
funcionamento".
Fonte: http://www.fiergs.org.br/noticia_aberta_fiergs.asp?idnoticia=4924








