Branding: design e estratégias de marcas
As marcas serão o ponto-chave para estratégias de sobrevivência das empresas.
No
mundo contemporâneo de mercados globalizados e novas tecnologias da
informação –principalmente, as digitais–, as relações com os produtos
sofreram alterações consistentes, e a desmaterialização dos objetos
intensifica a importância do papel que a marca passa a exercer.
Nesse
novo contexto histórico, em que as identidades e as relações mais
humanizadas ganham valor, as marcas serão o ponto-chave para
estratégias de sobrevivência das empresas.
De
certa maneira, é simples perceber que a convivência com a chamada alta
tecnologia afeta necessidades simples e intrínsecas ao ser humano como,
por exemplo, o lidar com nossas emoções. Também é simples perceber que,
a cada dia, a qualidade e o preço de produtos similares ficam cada vez
mais próximos.
Dessa forma, em diversas empresas, acompanhamos ações de design
de produtos como estratégias pontuais para estabelecer uma
diferenciação frente à concorrência. Isso também incentiva uma corrida
frenética por inovação, trazendo, para o usuário, inúmeros objetos
novos, totalmente desconhecidos, que podem mudar sua maneira de viver.
O
ponto-chave está em relacionar o produto ou serviço de tal modo que o
usuário possa se identificar e, conseqüentemente, memorizar –ou, no
mínimo, reconhecer– a marca.
Isso
acontecerá no exato e breve momento do contato, quando o usuário terá
uma experiência única e singular, motivo pelo qual essa experiência
deve ser muito bem planejada. Por isso, o planejamento estratégico de
marca passa hoje por três pontos focais: a humanização, o design e os ambientes.
Humanização
– Passamos por vários momentos recentes da história em que valorizamos,
em especial, as máquinas. Elas eram o ponto central de nossas vidas
(era do hardware).
Mais recentemente, com o advento da informática e da tecnologia digital, os programas passaram a dominar nossas ações (era do software), e, diante desse panorama, acreditamos que, a partir de agora, devemos centrar o foco de nossas ações no ser humano (humanware).
A humanização das marcas diz respeito à necessidade de compreender e gerar ligações emocionais entre elas e os usuários.
As
marcas devem expandir seu universo sensorial e inteligente, dar
importância a todos os sentidos. Não se trata de abandonar a visão, mas
de implementar novos meios para que os outros sentidos também sejam
atendidos.
Trata-se
também de entender bem os desejos e os anseios que os usuários não
conseguem expressar com exatidão e que as pesquisas, na maioria, não
demonstram –o que nos leva a buscar novas formas de pesquisá-los.
As
marcas também devem trabalhar com conceitos coerentes com sua
identidade –e estes devem ser simples, objetivos e coesos. Definir o
conceito antes de definir as estratégias de marca é pré-conceito.
Humanização das marcas diz respeito também a reconhecer e compreender as múltiplas inteligências (GARDNER, 1995).
Cada
ser humano tem uma forma especial de compreender o mundo e de processar
a informação que recebe. Portanto, as marcas não devem escolher meios
únicos, padronizados, de se conectar com o usuário. Não estamos medindo
quantidade de inteligência, mas qualidades –e, principalmente, não
estamos estimulando o uso de inteligência para acertar, mas para
incentivar estudos de erro. Errar bastante enquanto se projeta e se
planeja.
Design
– Ações de marcas são investimentos, são ações de futuro, são ações
culturais, que têm o tempo certo de plantar, regar e colher –e perceber
os erros nos permite corrigi-los e estender a duração dessas ações.
Aqui, entramos em um novo tópico: visão de futuro.
O importante é preparar-se para as mudanças que estão sendo projetadas e que, de alguma forma, a sociedade aguarda ou deseja.
As
marcas devem evitar surpresas. Surpresas não podem acontecer só com
nossa marca. Se todos no mercado estão se preparando para mudanças e
novidades, as marcas devem estar atentas para seguir ou não essas
mudanças, mas conscientes delas.
Aqui, o design estratégico ganha espaço, pois o tempo do design é o futuro. Design é uma disciplina que permite tornar visível o que até agora não existe em nossa realidade.
É
uma disciplina que permite estudar e preparar novas realidades,
compreender e estabelecer metas e possíveis caminhos a empreender para
esse futuro desejado. Se o futuro é de constantes inovações, devemos
atualizar constantemente as estratégias, revendo, reanalisando e
redesenhando esse futuro. Isso mantém as marcas vivas.
Os ambientes
– Finalmente, é importante destacar que essas experiências que as
marcas devem proporcionar –muitas vezes, singulares–, não podem
acontecer apenas ao acaso.
Isso
nos obriga a pensar espaços especialmente preparados para analisar e
estudar os contatos entre a marca e os usuários. As marcas têm de
pensar em ambientes comerciais próprios para esse fim, têm de pensar em
espaços exclusivos para a apresentação da marca, ou brand spaces.
Não
são espaços para vender produtos, mas para propiciar uma experiência de
marca. A maior parte das lojas tem seus ambientes comerciais focados na
venda de produtos, e não na de marca. Por isso, a maioria não é
lembrada.
Para encerrar, cabe destacar que cada marca deve ter sua identidade muito bem definida, o que a tornará única.
Dessa
forma, as estratégias de marca devem ser definidas conforme essas
identidades: o que serve para uma pode não se aplicar a outra. Talvez,
o único conselho que possa ser indicado a todas, sem exceção, é
estimular estratégias de design, pois isso as ajudará a pensar e preparar sempre o futuro.
Por Álvaro Gillermo
Fonte: Portal HSM On-line - http://www.hsm.com.br/editorias/marketing/index.php?
Autor do livro Branding: design e estratégias de marcas








