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Brasil: a maior economia da América Latina - 31/3/2006

O Brasil volta a ser a maior economia da América Latina, mas a desigualdade permanece. A fatia dos setores de serviços e comércio na economia cresceu em 2005, ano em que o país gerou quase R$ 2 trilhões em riquezas.


Uma questão de números e de cálculos que podem sempre mudar. Depende da conta e do método. O Brasil voltou a ser a maior economia da América do Sul.

Isso apesar de um crescimento bem abaixo da média mundial no ano passado. O PIB, produto interno produto, que é a soma das riquezas do país, chegou a quase R$ 2 trilhões no ano passado.

Mas a desigualdade permanece. O crescimento é baixo. Esses números mudaram agora porque o real ficou mais caro e a conta é feita em dólar. Um bom desempenho aparente, que se deve muito mais ao câmbio.

Os economistas dizem que a valorização do real fez o PIB aumentar. O acesso facilitado ao crédito também deu fôlego ao mercado interno. O que beneficiou principalmente o setor de serviços.

A inspiração dos pratos e da decoração vem de Nova York. Mas o modelo de negócio que faz sucesso é tupiniquim. Em três anos, a cadeia de restaurantes de comida balanceada abriu seis filiais e já tem 130 funcionários. Agora, a receita que deu certo vai desembarcar no país da Copa.

“A idéia é abrir uma loja na Alemanha ainda este ano”, conta um empresário.

A fatia dos setores de serviços e comércio na economia cresceu em 2005, ano em que o Brasil gerou quase R$ 2 trilhões em riquezas. A agricultura, em crise, encolheu. Já a indústria ganhou participação e continua crescendo.

Em São Paulo, que tem 40% da produção industrial brasileira, as fábricas trabalharam mais em fevereiro.

“Mais gente comprando, o crescimento do emprego real é fato. Há um crescimento também do salário, e o crédito apoiando tudo isso amplia o mercado interno. Aliás, o fator de expansão da economia nestes últimos meses - e será a característica do ano - vai ser o mercado interno”, avalia o presidente do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), Cláudio Vaz.

Com a divulgação do PIB, o Brasil avançou posições. Agora, dependendo da metodologia, é a 10ª ou 11ª economia do mundo. No ano passado, a escalada no ranking teve mais a ver com o câmbio do que com o crescimento do país.

Em real, o Brasil cresceu só 2,3% - uma das menores taxas do planeta. Mas como o ranking é feito em dólares, e a moeda americana perdeu valor aqui dentro, o Brasil ultrapassou o México e voltou a ser a maior economia da América Latina.

Com a inflação sob controle, o PIB per capita aumentou. Se a riqueza fosse repartida igualmente entre os 184 milhões de brasileiros, cada um ganharia R$ 10,520 mil por ano.

Como isso não acontece, a desigualdade ainda é uma das maiores do mundo. Para um país que precisa crescer mais para combater a pobreza, um número desapontou. A taxa de investimento ficou abaixo de 20% do PIB.

“É uma taxa que é compatível com um crescimento de 3,5% ao ano. É muito pouco, porque tem muito jovem chegando ao mercado de trabalho e a taxa de desemprego é alta. Então nós precisamos abrir vagas de emprego. Para isso, o Brasil precisa crescer 5% ao ano. Para isso, a taxa de investimento terá que ser 5% a mais: 25%”, explica o professor de economia da Universidade de São Paulo, Simão Silber.

Apesar de ter subido no ranking das economias mundiais, o Brasil ainda está distante de posições que já ocupou no passado. Na década de 80, chegamos a ter a sétima maior economia mundial.


Fonte: http://bomdiabrasil.globo.com/Jornalismo/BDBR/0,,AA1169073-3682-436013,00.html - 31/3/2006

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