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Brasil busca alternativas para crescer nos Estados Unidos

O deslocamento de dezenas de fábricas de móveis de High Point, um dos principais pólos moveleiros dos Estados Unidos, para a China, está abrindo espaço para atuação mais agressiva de pequenas fabricantes brasileiras em solo americano.

O deslocamento de dezenas de fábricas de móveis de High Point, um dos principais pólos moveleiros dos Estados Unidos, para a China, com o objetivo de produzir no país asiático para abastecer os EUA, está abrindo espaço para atuação mais agressiva de pequenas fabricantes brasileiras em solo americano. A empresa de importação e exportação Pampa Export, de Porto Alegre, sublocou uma parte de um dos gigantescos parques fabris ociosos e transformou-o em um centro para a estocagem de mobiliário, que vai proporcionar maior agilidade nas operações de entrega. A iniciativa é recente e conta com a adesão de quatro fábricas. Foi contratada uma transportadora americana que ficará responsável pela logística e gerenciamento da operação nos EUA até a entrega ao cliente.

"Já enviamos quatro contêineres", adiantou à Gazeta Mercantil, o diretor da Pampa Export, Paulo Osório, destacando que , devido ao clima de recessão nos EUA, os americanos não querem bancar os custos de estoques. "A nossa proposta é suprir as necessidades dos clientes que já vínhamos trabalhando. É uma iniciativa privada sem pretensão de explorar nichos além daqueles que trabalhamos hoje", ressalta o empresário gaúcho.

Para Renata Modesto, da área de exportação de uma das fabricantes de móveis, a Sier de Ubá (MG), a agilidade na entrega deverá dobrar as vendas da empresa naquele mercado hoje em US$ 70 mil anuais. O presidente da Associação Brasileira da Indústria do Mobiliário (Abimóvel), José Luiz Diaz Fernandez, disse que a entidade está determinada a imprimir neste ano um caráter mais profissional às atividades de incremento de negócios no mercado americano. Os números mostram que entre 2001 e 2005 a trajetória foi ascendente - passou de US$ 155,3 milhões para US$ 392,7 milhões - e que nos dois anos seguintes caiu para US$ 298 milhões em 2006 e US$ 246 milhões no ano passado. "O desafio é fazer as exportações crescerem 5% neste ano, mesmo com o dólar no estágio em que está", afirmou Fernandez. Em 2007, os embarques totais do Brasil somaram US$ 994 milhões.

Para Fernandez, alternativas é o que não faltam: "Ao invés de trabalhar com grandes redes a proposta é prospectar pequenas e médias cadeias, com 10 a 15 pontos, oferecendo produtos com design diferenciado", disse Fernandez, que também é sócio proprietário da Móveis German, localizada na região metropolitana de Brasília, uma das quatro integrantes do projeto de High Point. As outras são: La Casa, de Curitiba e Minuano, de Porto Alegre.

Para atender os consumidores da Costa Oeste americana, o presidente da Abimóvel informa que os fabricantes brasileiros precisam adequar-se ao estilo e ao modo de vida local, que preferem móveis contemporâneos. "Já existe um show-room permanente em Las Vegas, onde o potencial não foi totalmente explorado." Na Costa Leste, a Apex Brasil possui um Centro de Distribuição em Miami que, segundo o presidente da Abimóvel terá mais ações. A Apex e a Abimóvel são parceiros no projeto Brazilian Furniture.

"Estamos profissionalizando as ações nos Estados Unidos, mas não esquecendo outras regiões que passam a ser observadas com mais detalhamento. São os casos da Índia, da Rússia e da África", disse Fernandes, que esteve na Movelsul 2008, em Bento Gonçalves (RS). "Nosso maior desafio continua sendo elevar a base de empresas exportadoras", afirmou o dirigente, acrescentando que são hoje 210 fábricas de um universo de 13 mil estabelecimentos fabris.

(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 2)(Guilherme Arruda) - http://www.gazetamercantil.com.br
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