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Brasil e Argentina abolirão oficialmente dólar em suas trocas comerciais, diz Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve assinar nesta segunda-feira (8) um acordo com sua colega argentina, Cristina Kirchner, que irá lançar oficialmente o uso de pesos (moeda argentina) e reais no comércio entre os dois países, abolindo o uso do dólar, segundo entrevista publicada hoje no diário argentino "Clarín".

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve assinar nesta segunda-feira (8) um acordo com sua colega argentina, Cristina Kirchner, que irá lançar oficialmente o uso de pesos (moeda argentina) e reais no comércio entre os dois países, abolindo o uso do dólar, segundo entrevista publicada hoje no diário argentino "Clarín".

"Vamos abolir o dólar como moeda em nosso comércio", disse o presidente. "É importante recordar que mais de 70% do que a Argentina exporta para o Brasil são produtos manufaturados. Isso significa mais valor agregado, mais produção, mais emprego. E isso representa um potencial extraordinário, porque a Argentina está em um processo de reindustrialização."

Lula disse ser importante que o Brasil e a Argentina vejam um ao outro como sócios, e não como competidores, ao ser questionado sobre a imagem que o Brasil projeta de tomar decisões autônomas em questões como as da Rodada Doha, por exemplo. "É muito importante que Brasil e Argentina se vejam não como competidores, mas sim como sócios (...) Acredito, trabalho e aposto na integração da América do Sul e com mais empenho no fortalecimento do Mercosul", disse Lula.

"A Argentina tem de ver o Brasil como um mercado de 190 milhões de habitantes, com o qual faz fronteira. Não são necessários navios e vôos de 14 horas para exportar. Basta atravessar uma ponte."

Sobre a Rodada Doha, Lula disse que o Brasil tem consciência do papel que desempenha, e de como combinar isso com a cooperação com a Argentina para sua recuperação industrial. "O Brasil tem claro que, quanto mais harmônica for sua relação com a Argentina, mas produtiva ela será, mais contribuiremos para fortalecer o Mercosul e a integração sul-americana."

Rodada Doha

O último encontro dos membros da Organização Mundial de Comércio (OMC) para discutir a Rodada Doha, no fim de julho, criou um mal-estar entre os dois países. Na ocasião, o chanceler Celso Amorim admitiu que o Brasil se afastou de aliados como Índia e Argentina nas negociações, mas disse que não houve alternativa. "Sabíamos que havia uma diferença de posição com a Argentina, e a nossa posição não poderia ficar totalmente refém dela", afirmou o ministro, em entrevista concedida à Folha de S. Paulo, em Genebra.

Apesar dessas diferenças, o ministro negou que o país tenha se distanciado de indianos e argentinos. O chanceler afirmou que, "na hora crucial", o Brasil optou por achar uma solução específica para o caso argentino

Na avaliação de observadores internacionais, as relações entre Brasil e Argentina ficaram estremecidas, depois que a representação brasileira aceitou uma proposta da OMC (Organização Mundial do Comércio) que era considerado insuficiente pelos demais países membros do G-20, o grupo de países emergentes.

Na entrevista, Amorim também afirmou os maiores perdedores do fracasso da Rodada Doha foram os países menores e que "têm menos capacidade de negociar fora do contexto multilateral".

Em julho, ministros de 35 países tentaram durante nove dias salvar a Rodada Doha, lançada no final de 2001 e que devia ser concluída em 2004. Ela, no entanto, esbarrou nos interesses contraditórios dos países exportadores agrícolas e dos países exportadores de produtos industrializados.

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u442370.shtml

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