Brasileiros começam hoje busca por negócios na África
Missão organizada pela Câmara Árabe e pela Apex vai passar pelo Marrocos, Tunísia e Egito.
São Paulo - A partir de hoje (28), e até o dia 05 de junho, representantes de empresas e entidades setoriais brasileiras vão atrás de negócios no Norte da África. A Câmara de Comércio Árabe Brasileira e a Agência de Promoção das Exportações e Investimentos do Brasil (Apex) vão levar representantes de 24 empresas e entidades setoriais do Brasil para encontros empresariais no Marrocos, Tunísia e Egito.
"Nós podemos esperar um aumento no volume de negócios, pois esta missão foi montada conforme as necessidades destes países", disse o vice-presidente de marketing da Câmara Árabe, Rubens Hannun, que vai liderar a delegação. Especialistas da Câmara e da Apex estiveram nos três países entre o final de fevereiro e no início de março para fazer um levantamento sobre quais os setores são mais promissores para os negócios na região.
Neste sentido, foram convidadas para a missão empresas e entidades que têm condições de atender a demanda existente. "As empresas estão indo para cobrir as necessidades de cada um dos países", disse Hannun. Elas são dos ramos de frutas, sucos, componentes para calçados e artefatos, equipamentos médicos e odontológicos, alimentos prontos para o consumo, insumos para a indústria alimentícia, lácteos, equipamentos para irrigação, metais sanitários, ferramentas, móveis e material de construção.
Esta será a primeira missão da Câmara Árabe para três países do Norte da África desde 2001. "Estes países estão passando por um processo de industrialização e quem souber aproveitar o momento e se dedicar terá sucesso. Agora é a hora de estar presente, conhecer os mercados e ver quais são as oportunidades", declarou o presidente da Câmara Árabe, Antonio Sarkis Jr.
Além do comércio, a região tem grande demanda por parcerias empresariais. "Eles vêem o Brasil com bons olhos, tanto para compras como para parcerias e investimentos. Eles procuram transferência de tecnologia, importação de insumos para industrialização de lá e posterior reexportação para outros mercados", disse Sarkis.
Os três países têm, por exemplo, acordos comerciais com a União Européia. "Isto representa uma oportunidade de acesso mais fácil ao mercado europeu para as empresas brasileiras", afirmou Hannun. Uma das entidades que vão participar da missão é a Associação Brasileira de Empresas de Componentes para Couro, Calçados e Artefatos (Assintecal), que já está de olho nesta possibilidade. No ano passado, ela fechou um acordo com a Federação Nacional de Couro e Calçados da Tunísia (FNCC) com vistas à exportação de componentes brasileiros, industrialização no país árabe e posterior venda dos calçados para a UE.
Empresas
Fornecedores de componentes para calçados e acessórios terão peso na delegação. Além da Assintecal, entidade que representa o setor, terão representantes na missão as empresas Noko Química, fabricante de químicos para curtumes; a Imbrape, de panos sintéticos; a Artecola, de colas; a Cipatex, de couros sintéticos; a Recouro, de couros; a Formas Kunz, de formas; a Tecbond, de adesivos; e a A. Tonal Corantes. Os negócios destas companhias ficarão a cargo do empresário Daniel Schnorr, dono da Link Worldwide e consultor da Assintecal.
Ainda na seara de componentes para calçados, vai participar também a Nitriflex, fábrica de borrachas sintéticas que podem também ser utilizadas nas indústrias de mangueiras, pisos, tecidos emborrachados, luvas e por empresas de engenharia.
Vão mandar representantes também a Associação Brasileira da Indústria de Artigos e Equipamentos Médicos, Odontológicos, Hospitalares e de Laboratórios (Abimo) e a Associação dos Exportadores de Móveis de Ubá e Região (Movexport), de Minas Gerais.
Destinos
Nos três países a delegação vai participar de seminários sobre oportunidades de negócios e investimentos, rodadas de negócios e de uma série de visitas a empresas locais, entidades setoriais e distritos industriais.
A primeira parada será no Marrocos. "Fico muito feliz com a missão, porque falar com os empresários de um país é uma coisa, mas conhecê-lo é diferente, pois possibilita ver in loco as oportunidades existentes", disse à ANBA a embaixadora do Marrocos em Brasília, Farida Jaïdi. Ela lembrou que a política externa brasileira tem privilegiado as relações com nações árabes, da África e em desenvolvimento, e o Marrocos se enquadra nestas três características.
Para ela, o comércio é a base de uma boa relação entre dois países. "Com um bom comércio, melhora a cooperação política e a condição de vida das populações", afirmou. "O Marrocos está se abrindo para o mundo, importa muito, e o Brasil pode vender produtos que hoje são fornecidos por outros países", acrescentou o embaixador do Brasil em Rabat, a capital marroquina, Carlos Alberto Simas Magalhães.
O segundo destino é a Tunísia. "Existem perspectivas de parcerias, há um interesse muito forte por este tipo de negócio nos países do Norte da África", observou Rubens Hannun, que também é cônsul honorário da Tunísia em São Paulo. No país, além de conhecer importadores, os empresários brasileiros vão ter contato, por exemplo, com a Agência de Promoção de Investimentos Estrangeiros (Fipa), para saber sobre as oportunidades de investimentos existentes.
A última escala é no Egito. "O Egito é um país com enormes possibilidades para o Brasil", afirmou o embaixador do Brasil no Cairo, Elim Dutra. Em sua avaliação, apesar do volume de comércio entre os dois países já ser grande, há ainda muita coisa a ser feita. "As empresas brasileiras que vêm aqui acabam fazendo negócios", acrescentou o diplomata. Na área médica, por exemplo, ele disse que o Egito tem grandes hospitais, mas que usam poucos equipamentos brasileiros. Ele lembrou também das oportunidades no segmento de componentes para calçados, já que o país é grande produtor calçadista e considerado o "mostruário de calçados do Oriente Médio".
Além de vender, as empresas do Brasil podem também importar do Egito, já que o país oferece uma ampla gama de produtos e a balança comercial é muito favorável para o lado brasileiro. "Talvez os empresários brasileiros também encontrem produtos que tenham interesse em levar para o Brasil", afirmou Dutra. Ele citou como exemplo o ramo de fármacos, no qual os egípcios são muito competitivos.
Fonte: http://www.anba.com.br/especial.php?id=357








