Cai o número de exportadoras de pequeno porte
O real valorizado, as dificuldades de acesso ao mercado internacional e o aquecimento do mercado interno vêm reduzindo as exportações das micro e pequenas empresas.
Um estudo divulgado ontem pelo Sebrae - "As micro
e pequenas empresas na exportação brasileira - 1998 a 2006" - revelou
que o número de firmas desse porte que vendem para o exterior caiu 4%
em 2006. Foram 12.998, ante 13.538 em 2005. Também caiu de 2,13%, em
1998, para 1,4% em 2006, a participação dos pequenos negócios no valor
das exportações do País.
Na tentativa de elevar, ou pelo menos
estabilizar, o total de empresas ativas no exterior, o Sebrae lançará
em abril um programa de internacionalização das pequenas empresas. "O
apoio principal será dado no acesso dos empresários às informações
necessárias", afirmou o presidente do Sebrae, Paulo Okamotto. Os
detalhes do programa ainda estão sendo definidos, mas o foco será
aumentar a integração de ações do Sebrae, Agência de Promoção de
exportações (Apex), Banco do Brasil, BNDES e dos ministérios do
Desenvolvimento e de Relações Exteriores.
O estudo foi
encomendado pelo Sebrae à Fundação Centro de Estudos do Comércio
Exterior (Funcex), que, além, de usar dados da Secretaria de Comércio
Exterior (Secex), ouviu micro e pequenos empresários sobre as
dificuldades de se exportar. As principais queixas foram a taxa de
câmbio, a falta de mão-de-obra qualificada para cuidar de exportações e
dificuldades de acesso a mercados.
O economista da Funcex
Fernando Ribeiro disse que a melhora na renda nos últimos anos, que
ajudou a aumentar o consumo, tornou o mercado interno mais atraente
para essas empresas. Segundo ele, uma forma de o segmento deixar de ser
refém da competição de preços e da taxa cambial é investir em
tecnologia e inovação para agregar valor aos produtos.
"Os
pequenos têm maior dificuldade com o câmbio valorizado porque,
diferentemente das grandes e médias companhias, não conseguem se
aproveitar dele para importar insumos mais baratos e reduzir custos de
produção", afirmou. O estudo também mostrou que é pequeno o número de
empresas que exportam continuamente. Somente 31,8% das que venderam
para o exterior em 2006 também exportaram em anos anteriores.
A
coordenadora do estudo, Magaly Albuquerque, informou que, entre 1999 e
2001, o número de pequenas empresas estreantes no mercado externo foi
de 4.750, e o número de desistentes, nesse período, foi de 3.920, o que
deixou um saldo positivo de 830. Já entre 2002 e 2006, o número de
estreantes foi 3.830, ante 4.700 desistentes. "O saldo aí se inverteu
para negativo em 870", observou.
As micro e pequenas empresas
exportadoras se concentram nas regiões Sul e Sudeste, onde estão quase
95% delas. O Estado de São Paulo reúne 47% das micro e pequenas
empresas que exportam, seguido do Rio Grande do Sul (16,2%) e Minas
Gerais (8,6%).
Enquanto caiu a quantidade de exportadoras,
aumentou o valor médio exportado pelas micro e pequenas empresas. Entre
2005 e 2006, o aumento no valor médio vendido ao exterior foi de 5,8%
entre as microempresas e de 11,3% entre as pequenas.
Para
Carlos Alberto dos Santos, diretor de Administração e Finanças do
Sebrae, isso mostra uma mudança estrutural no perfil das pequenas
empresas exportadoras. "Estão sendo mais competitivas aquelas mais
intensivas em tecnologia e inovação e menos competitivas aquelas
intensivas em mão-de-obra", comentou. Produtos manufaturados são os
principais produtos de exportação. Os principais mercados são União
Européia, Estados Unidos e Mercosul.
Fonte: Sistema de Informações IEA/Funcex/O Estado de São Paulo








