Calçados e móveis temem queda de pedidos
Os fabricantes de calçados e móveis, que destinam boa parte das exportações para os Estados Unidos, estão apreensivos. Embora ainda não tenha havido queda nos embarques por conta da crise no mercado imobiliário, os empresários notam o receio dos compradores e chegam relatos de que o varejo não cumpriu suas metas de vendas.
Esses setores
já enfrentam dificuldades para vender para os EUA por causa da
valorização do real.
Segundo Nelson German, diretor-presidente da Scala
Shoes, os clientes americanos informaram que não atingiram as metas de
vendas do ano passado. Além de comercializar a marca Morenatom, a Scala
Shoes compra calçados no Rio Grande do Sul e revende para empresas
americanas, que colocam a própria marca antes de chegar no varejo.
"Ainda não tivemos queda nas encomendas, mas existe um claro receio os
lojistas de aumentar as compras", diz.
Rafael Schefer, gerente de exportação da West
Coast, diz que alguns clientes americanos estão com grandes estoques.
Ele teme impacto nas vendas no segundo semestre. Schefer também alerta
que a crise americana pode contaminar outros mercados importantes para
a empresa na América do Sul, por serem muito dependentes da economia
dos EUA. Em 2007, as vendas da West Coast para os Estados Unidos
cresceram 12%.
O presidente do Sindicato das Indústrias da
Construção e do Mobiliário de Rio Negrinho, Carlos Mattos, diz que há
recuo das encomendas dos americanos junto aos fabricantes de móveis da
região, principal pólo exportador de móveis de Santa Catarina, e que a
alternativa deve ser o aumento de vendas para outros mercados, como
Oriente Médio, África e Austrália. "Por conta da questão cambial, já
houve movimento de busca de novos mercados, onde as empresas conseguem
entrar com preços novos, e são esses mercados que poderão compensar um
agravamento ainda maior da situação americana."
Alessandro Franco, diretor comercial da Intercontinental,
não sente ainda queda de demanda dos americanos. "Estamos em uma crise
anterior, que é a de não conseguir colocar os produtos a preços
competitivos por conta do câmbio", diz ele, acrescentando que há, no
entanto, preocupação com aprofundamento da crise da economia americana
em um cenário cambial que segue desfavorável. A Intercontinental
exportou em 2007 cerca de 90% da produção. Para 2008, prevê exportar
50%.
Fonte: Sistemas de Informação IEA/Funcex/Valor Econômico - 17/01/2008








