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Câmbio - Real forte é foco de preocupação para FMI

A valorização do real foi apontada FMI como um dos focos de preocupação causados pelos atuais desequilíbrios nos mercados de câmbio internacionais.

Em entrevista ontem, durante a Reunião Anual dos Ministros das Finanças e Governadores de Bancos Centrais do G20, o diretor-gerente do Fundo, Dominique Strauss-Kahn, disse que "alguns países têm sobre seus ombros um peso do ajuste muito maior do que deveriam". E acrescentou: "Esse é o caso do dólar canadense, do euro, do real brasileiro".

O ajuste nos mercados cambiais mencionado pelo Strauss-Khan tem sido causado principalmente pela forte depreciação do dólar diante de várias moedas, e pela cotação do yuan chinês, que segundo analistas, continua muito subvalorizado.

O diretor do Fundo disse que tendência de enfraquecimento do dólar norte-americano é um movimento na direção certa. Embora não tenha citado diretamente o yuan, ele deixou claro que o ritmo de apreciação da moeda chinesa promovido pelas autoridades de Pequim é considerado lento pelo Fundo. "Por outro lado, há outras moedas, principalmente porque têm grandes superávits em conta corrente, que não estão se movendo como esperamos", disse. "Algumas estão se movendo muito lentamente, outras na direção errada e isso nos causa preocupação."

Segundo ele, os atuais desequilíbrios cambiais mostram "que a organização do sistema de mercados cambiais não está exatamente alinhada o que seria desejável". Strauss-Kahn salientou que o FMI é certamente o lugar certo para que essas discussões.

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, não quis comentar as declarações de Strauss-Kahn. Mas ele observou que os preços de diversos ativos brasileiros estão numa trajetória de valorização por causa do bom momento econômico vivido pelo Brasil. "Essa valorização dos ativos reflete a melhora dos fundamentos da economia brasileira, como seu saldo positivo no balanço de pagamentos, a inflação dentro da meta, e a entrada de recursos para os investimentos diretos", disse Meirelles.

O comunicado final da reunião do G20 fez uma menção tímida à questão do câmbio, refletindo as divisões de posições geradas pelo tema entre os países-membros. O documento sugeriu uma maior flexibilidade cambial em vários países com superávit em conta corrente. A União Européia, com o apoio dos Estados Unidos, aumentou recentemente a pressão para que Pequim permita uma valorização mais rápida do yuan. Mas os europeus também estão cada vez mais insatisfeitos com o declínio do dólar, que vem afetando suas exportações aos Estados Unidos. Durante o encontro, o secretário do Tesouro norte-americano, Henry Paulson, voltou a afirmar que um dólar forte é do interesse de seu país.

Fonte: Jornal do Comércio / http://www.global21.com.br/materias/materia.asp?cod=17675&tipo=noticia

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