Ferramentas Pessoais
Você está aqui: Página Inicial Mercado Casa Cor em versão sueca
Acessar


Esqueceu sua senha?
 

Casa Cor em versão sueca

A marca criada no Brasil chega a Estocolmo e apresenta trabalhos de 60 arquitetos e designers, inclusive brasileiros.

Trata-se da primeira experiência da marca brasileira - Casa Cor - em terras européias. E, sem dúvida, em uma locação que impõe respeito: Estocolmo, a capital sueca. Mais especificamente no T-House, edifício construído pelo arquiteto sueco Af Jochnick, em 1910, e ainda hoje ponto de referência na paisagem local. Em cena, o trabalho de 60 arquitetos e designers - incluindo brasileiros - encarregados de dar cor e forma ao morar contemporâneo: um contraponto capaz de revelar afinidades, mas também particularidades específicas a cada um dos países.

Com menos espaço para o desfile de novidades que tem caracterizado as mostras brasileiras, a Casa Cor Suécia investe em uma abordagem autoral de seus ambientes. Com exceção da dupla preto e branco - combinação cromática em alta nos dois lados do Atlântico e presente, por exemplo, no quarto da modelo decorado por Ann-Louise Andrén e na adega, de Olle Rex -, identificar tendências não é tarefa fácil.

Mais preocupados com o aspecto conceitual de suas propostas, para os suecos, a Casa Cor parece ter se revelado, antes de tudo, em uma oportunidade para deixar aflorar a criatividade. Seja por meio da iluminação cenográfica, de soluções no limite do objeto artístico ou mesmo de espaços concebidos como vestidos de alta costura, tal a riqueza de detalhes.

“A mim não incomoda tratar a garagem como um ambiente de luxo. Afinal, quem pode possuir um carro desses (no caso, a última versão do Audi S5), no mínimo deveria tratá-lo como uma jóia”, afirma a arquiteta Hanna Hedén, responsável pelo cintilante espaço logo à entrada, onde o dourado de piso e paredes aparece elegantemente acompanhado do branco.

Aposta no artesanal

Mais teatral, o quarto criado pelas arquitetas Ida Wainer, Helena Svensson e Annica Wigers, da equipe do designer Matt Sandell, redesenha o conceito do dormitório ao propor um acabamento único para paredes e teto: a intrincada teia de tecidos, que converge para um ponto central, criando um permanente foco de interesse para quem o ocupa.

Abordagem que revela também outro aspecto marcante em Estocolmo 2007: a intenção de dissimular ao máximo a presença da tecnologia, ressaltando (com igual intensidade) o componente artesanal presente nos móveis e acabamentos. Como, por exemplo, na cozinha de Olof Kolte, onde o inox aparece em segundo plano, frente à exclusividade do material construtivo - não um laminado plástico de última geração, mas sim painéis de madeira pintada e recobertos por vidro, executados pelo arquiteto.

Tendo a arquitetura como ponto de referência, Per Oberg também faz da simplicidade o ponto alto de seu trabalho ao propor um banheiro onde uma sinuosa e escultural banheira é o destaque. Um espaço voltado ao prazer doméstico, construído em alvenaria e revestido de pastilhas de brilho em oposição às paredes de cerâmica em formato de lascas.

Mais radical, a sauna holística de Anna

Montagut, Björn Ahrenby, Cesar Patin e Jesùs Azpeitia faz da iluminação permanentemente mutante o substituto ideal para qualquer peça de mobiliário: no espaço, são as paredes e rampas que funcionam como móveis de apoio, tudo em sintonia com um dos ambientes mais afeitos ao modo de vida sueco.

Entre os representantes brasileiros, destaque para Alessandro Jordão e Kiko Sobrinho (e a sala-instalação), os irmãos Campana (em rara incursão nos domínios da decoração) e sobretudo Patrícia Martinez. Com seu Brazilian Reading Room, sala de tonalidade feminina, a arquiteta conseguiu, em pouco mais de 20 m², não apenas homenagear o seu país, mas também sintetizar preferências comuns aos dois povos. Em particular, a ênfase na iluminação natural e a predominância de tons neutros - cru, branco e bege - e de madeiras rústicas e fibras naturais na decoração.

Um ambiente para ser vivenciado na Suécia, segundo Patrícia, ao som da bossa nova e do aroma de caipirinha fresca - neste caso, um aromatizante especialmente preparado para a mostra. “Seria o espaço onde eu gostaria de relaxar, caso vivesse aqui na Suécia”, revela a arquiteta. E ao que parece, os suecos também.

Por Marcelo Lima

Fonte: http://txt.estado.com.br/suplementos/casa/2007/09/30/casa-1.93.21.20070930.8.1.xml

Ações do documento