Mundo árabe quer mais comércio com América Latina
Aumentar o comércio com países latino-americanos, principalmente Brasil e Argentina, é um dos objetivos dos empresários do mundo árabe. Atualmente, as exportações e importações da região estão muito concentradas na Europa e Estados Unidos.
As lideranças empresariais do mundo árabe querem que a região direcione
seus esforços de comércio para países do sudeste asiático, como a
China, e latino-americanos, principalmente Brasil e Argentina. O tema
foi abordado ontem (02) na 39º Congresso de Câmaras de Comércio,
Indústria e Agricultura dos Países Árabes, que segue até hoje (03) em
Abu Dhabi, nos Emirados Árabes. A informação é do secretário-geral da
Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Michel Alaby, que participa do
encontro.
O comércio exterior dos países árabes, segundo discussões do congresso,
atualmente está muito concentrado nos Estados Unidos e na Europa. De
acordo com informações divulgadas durante um dos painéis do encontro,
feito pelo secretário-geral da Câmara de Comércio e Indústria de
Damman, na Arábia Saudita, Mohamed Ibrahim, e pelo secretário-geral do
Conselho das Câmaras de Comércio e Indústria do país árabe, Fahd Al
Sultan, os Estados Unidos e a Europa respondem por 70% do comércio
exterior saudita.
O comércio da Arábia Saudita com os demais países árabes responde, por
exemplo, a apenas 6,5% do total. As lideranças empresariais pediram que
os países continuem reduzindo os impostos de importação para incentivar
o comércio entre as diferentes nações da região. O volume de comércio
exterior do mundo árabe ficou em US$ 900 bilhões em 2006, dos quais 10%
responderam por intercâmbio entre os países da região. A ministra da
Economia e Finanças dos Emirados, Lubna Al Qasimi, que fez a abertura
do encontro, falou sobre a importância de fortalecer o intercâmbio
econômico regional.
A abertura econômica do mundo árabe também foi um tema amplamente
discutido no congresso, que no seu primeiro dia reuniu, de acordo com
Alaby, ao redor de 150 representantes de câmaras árabes. Os países
árabes estão promovendo uma série de privatizações e incentivando a
atuação do setor privado. Essa abertura econômica, segundo o presidente
da União Geral das Câmaras de Comércio, Indústria e Agricultura dos
Países Árabes, Adnam Kassar, deve promover a eficiência e a melhoria da
produção local. Lubna também lembrou que o processo deve incentivar os
investimentos estrangeiros.
A ministra dos Emirados falou que a economia de seu país deve crescer
10% em 2007. O setor empresarial, segundo Lubna, tem presença constante
nos negócios no país e trabalha com apoio do governo, que concede
incentivos e financiamento para construção de obras e projetos de
infra-estrutura. A menor presença do estado na economia local, com o
aumento das privatizações, foi um dos apelos das lideranças que
estiveram no encontro. O presidente da Federação das Câmaras de
Comércio e Indústria da Síria, Rateb Challal, falou sobre o processo de
abertura econômica da Síria.
De acordo com Alaby, Challal afirmou que a Síria já fez uma série de
ações nesse processo, como a permissão da abertura de bancos
estrangeiros e a redução de impostos de importação de alguns produtos.
O presidente da entidade síria afirmou que seu país vai reduzir ainda
mais impostos de importação até o final do ano e também retirar a
proibição de importação de alguns tipos de produtos. De acordo com o
secretário-geral da Câmara Árabe, se essa proibição englobar bens
alimentícios, poderá favorecer o Brasil.
Fonte: http://www.global21.com.br/materias/materia.asp?cod=15204&tipo=noticia








