Copom corta juro em 0,5 ponto
O Banco Central surpreendeu ao anunciar um corte na taxa básica de juros maior do que o esperado pela maior parte dos analistas.
O Copom (Comitê de Política Monetária) decidiu reduzir a Selic em 0,5
ponto percentual, para 14,25% ao ano, enquanto a maioria do mercado
esperava uma redução de só 0,25 ponto. O comitê tomou a decisão na
última reunião antes do primeiro turno das eleições.
A taxa de
juros é a menor desde o início das reuniões do Copom, em 1996. O fator
que mais justifica o menor conservadorismo do Banco Central é a
tendência de queda da inflação. No entanto, é a primeira vez desde maio
do ano passado que a decisão do Copom diverge do levantamento feito
semanalmente pela autoridade monetária, o chamado boletim Focus. No
último Focus, o mercado financeiro esperava um corte de 0,25 ponto e
uma inflação de 3,66% neste ano. Na reunião anterior, a previsão era de
um aumento de preços de 3,77%.
A meta de inflação oficial é de 4,5% de acordo com o IPCA (Índice de
Preços ao Consumidor Amplo) --com uma margem de tolerância de dois
pontos para cima ou para baixo.
Além disso, o crescimento da
economia parece que não provocará pressão sobre os preços --o IBGE
divulgará amanhã o PIB (Produto Interno Bruto) do segundo trimestre.
No
cenário internacional, o Fed (Federal Reserve, o BC dos EUA) anunciou
ontem uma certa preocupação com a desaceleração da economia do país,
após dois anos de aumento da taxa de juros --hoje em 5,25% ao ano.
A
aposta quase majoritária de um corte ce 0,25 ponto era sustentada pela
ata da última reunião do Copom, que indicava "maior parcimônia",
principalmente porque há uma preocupação sobre os efeitos que a decisão
de hoje e dos próximos encontros terão sobre a economia a partir do ano
que vem.
O processo de redução da taxa de juros começou em
setembro do ano passado. Na ocasião, a Selic passou de 19,75% para
19,5% ao ano.
A maior preocupação do BC é com o controle da inflação. No entanto, não há risco aparente de a meta desse ano não ser cumprida.
A
partir de agora, o BC deverá ficar mais atento aos investimentos feitos
no país. O crescimento do nível de investimentos indica que há uma
perspectiva maior da produção industrial atender toda a demanda sem
risco de aumento de preços.
O Copom divulga na sexta-feira da próxima semana a ata da reunião ocorrida ontem e hoje.
Por: Ana Paula Ribeiro
Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u110653.shtml - 31/8/2006








