Criatividade funcional
Formas inusitadas, peças modulares, cores neutras e portas que viram painéis são marcas das novidades do recente Salão Internacional do Móvel de Milão.
Adeus aos puxadores, bem-vindas as cores sóbrias e sinal verde para a
assimetria. Pelo menos em Milão é assim, de acordo com um grupo de
arquitetas gaúchas que esteve na cidade italiana para visitar a 48ª
edição do Salão Internacional do Móvel. Sucesso de público, a feira
recebeu mais de 313 mil visitantes, entre os dias 22 e 27 de abril,
interessados em conferir as soluções criativas apresentadas por 2.723
expositores de 151 países.
Para ampliar as fontes de inspiração
e ver de perto os lançamentos, quatro profissionais cumpriram a tarefa
de percorrer durante três dias os pavilhões do design mundial,
espalhados em mais de 200 mil metros quadrados. Karen Feldman, Daniela
Giffoni, Barbara Engel e Betina Gomes apontaram os elementos em alta na
mostra. Preto, branco, matizes de cinza e de marrom mantêm-se na
cartela de cores fashions, eleitas em quase todos os estandes. Exceções
ficam por conta das peças menores e coloridas de design, como cadeiras
de vidro ou de acrílico. A laca alto-brilho permanece aplicada no
mobiliário, que ganhou novas formas de abrir, dispensando os
tradicionais puxadores. Estes, quando empregados, passaram a fazer
parte do design do móvel, tornando-se um detalhe da marcenaria.
–
Vimos muitas portas de correr em estantes e armários. Os móveis têm um
sistema de fecho-toque, assinalado por pontinhos na marcenaria, que faz
as portas se deslocarem para frente e depois deslizarem em trilhos de
alumínio. É muito interessante, porque quando elas estão fechadas, dão
o visual de um painel único no ambiente – lembra Daniela.
Vazadas ou assimétricas, estantes se destacam
Coqueluche
do salão, as réguas finas de madeira ou as chapas delgadas de metal
aparecem em prateleiras e estruturas dos móveis, que mostram cantos
arredondados e desenhos assimétricos. A brincadeira com a geometria
revela a preocupação das empresas em tornar o mobiliário adaptável aos
espaços menores, ora em peças moduláveis, ora em sofás de dimensões
compactas, como o modelo de pelúcia criado pelos Irmãos Campana.
Vazadas, estantes permitem a integração com os ambientes vizinhos.
Espelho,
acrílico, couro e vidro seguem marcando presença, sendo que este
último, agora, passa a ser empregado na base de camas ou estantes,
conferindo sensação de leveza ao ambiente. Linhas retas e móveis baixos
prevalecem, mas algumas peças ousam mais e mostram formas humanas ou
orgânicas, em referência a elementos da natureza.
Por Fernanda Duarte








