Demanda interna no país já cresce em ritmo chinês
O ritmo acelerado do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre já provocou uma revisão para cima nas projeções para a evolução da economia em 2008 e também em 2009.
Neste ano, os economistas prevêem
que o PIB pode repetir o desempenho do ano passado e ficar próximo a
5,4%. Para 2009, as estimativas ficam em torno de 3,5%. Quem esperava
menos, reviu a taxa para cima e quem pretendia reduzir a taxa em função
do aperto da política monetária - ontem, o Copom elevou novamente a
taxa Selic em 0,75 ponto percentual, para 13,75% ao ano - decidiu
mantê-la nesse nível.
O PIB do segundo trimestre cresceu 6,1% sobre igual período do ano
passado e 1,6% sobre os primeiros três meses deste ano, segundo o IBGE.
O consumo das famílias e do governo e o investimento mantiveram um
ritmo chinês nos últimos quatro trimestres. Com alta de 8,4%, a demanda
interna puxou o crescimento de 6% do Produto Interno Bruto (PIB) no
semestre, em relação aos primeiros seis meses de 2007.
Mais otimista e sem acreditar em contágio da crise externa, o governo espera que esses dados tenham uma influência ainda maior em 2009. Na avaliação do ministro da Fazenda, Guido Mantega, o forte desempenho do PIB no segundo trimestre - ancorado em uma alta de 16,2% no investimento sobre igual trimestre de 2007 - garante uma evolução de 4,5% para o PIB de 2009. Segundo ele, crescimento com queda de inflação é sinal da boa composição do atual crescimento brasileiro. Com esse resultado, a taxa de investimento sobre o PIB ficou em 18,7%, a maior já registrada para um segundo trimestre desde 2000, início da série histórica do IBGE.
O consumo das famílias, com peso de cerca de 60% no PIB, continuou em
nível elevado, mas desacelerou ligeiramente e passou de 6,9% para 6,7%
entre o primeiro e o segundo trimestres, na comparação com igual
período do ano anterior. Esse ritmo forte - que sancionou aumentos de
preços nos últimos meses na avaliação do Copom - justificou as
preocupações da autoridade monetária, que ontem decidiu por novo
aumento dos juros. Desta vez, não houve unanimidade entre os diretores
do BC: cinco votaram por 0,75 ponto e três, por 0,50.
Fonte: http://www.valoronline.com.br/valoreconomico/








