Demora nas exportações brasileiras
As exportações brasileiras levam, em média, 39 dias para chegarem ao porto e serem embarcadas. Já nos Estados Unidos, país com dimensões semelhantes às do Brasil, o prazo é de apenas 12 dias.
Com esta demora perdemos pelo menos US$ 25 bilhões por ano, segundo
estimativas da Aliança Pró-Modernização Logística do Comércio Exterior
- Procomex. Isto sem saber se, neste número, está incluído o que as
empresas de navegação cobram pelo tempo que os navios permanecem na
fila. É
a mais triste visão do desperdício que se pode imaginar de um país cuja
dívida interna passa de R$ 1 trilhão.
"Acreditamos que seja
possível reduzir esse tempo de 39 dias para 12, mesma média americana",
diz John Mein, coordenador-executivo da Aliança Procomex. Para oferecer
soluções técnicas e viáveis, será realizado hoje,
no Hotel Transamérica em São Paulo, um
dia de estudos e debates com a presença da equipe técnica do Banco
Mundial, preparada para fazer comparações sobre o que outros países
emergentes fizeram e nós não. Estarão presentes representantes
de alto nível do governo, como Ivan Ramalho, secretário-executivo do
Ministério do Desenvolvimento. É uma boa oportunidade para aprender e
tirar dúvidas. O tema do seminário diz tudo: "Os grandes desafios e as
oportunidades dos ganhos dos tempo aduaneiros no Brasil".
SÓ GANHAMOS DA ÁFRICA
"O Brasil só é mais
veloz que os países pobres da África. No Mercosul, logo ali, na nossa
fronteira, a demora média é de 30 dias", informa John Mein.
O país mais ágil em comércio exterior é a Dinamarca, que consegue embarcar um produto em apenas 5 dias. Na Coréia, são necessários 12 dias.
BUROCRACIA
Geralmente,
aponta-se a infra-estrutura precária como uma das causas principais do
atraso das exportações. Isso pesa, mas a burocracia pesa até mais. Um estudo do Banco Mundial
e da Corporação Financeira Internacional (IFC) indica que apenas um
quarto dos atrasos nas exportações é provocado por infra-estrutura
precária. "Em 75% dos casos, a principal culpada é a burocracia:
procedimentos de alfândega, taxas, inspeções de carga, etc."
"Na Dinamarca, é necessário
preencher apenas três formulários e recolher as assinaturas de duas
autoridades para autorizar a exportação. No Brasil, é preciso preencher
sete documentos e recolher oito assinaturas, em média", diz o estudo.
IMPORTANTE, AJUDA, MAS...
"Após
a identificação de todas as etapas do processo, importação e
exportação, incluindo os documentos exigidos e os procedimentos
burocráticos, será iniciada a segunda fase do estudo que estamos
desenvolvendo, que visa a identificar quais mudanças podem ser feitas,
tanto no âmbito normativo como em substituições e alterações nos
procedimentos burocráticos, que resultem em ganho de tempo no ambiente
aduaneiro", explica Mein.
A terceira etapa consistirá no
desenvolvimento e implantação de um novo sistema, informatizado,
semelhante àqueles adotados nos países mais competitivos no comércio
exterior.
A iniciativa da Procomex de trazer os técnicos do
Banco Mundial para mostrar seus estudos e soluções aos exportadores é
meritória, pois ninguém ainda procurou aprofundar estudos partindo não
de análises teóricas feitas em Brasília, mas da experiência, da
verdadeira batalha que as empresas travam para competir no exterior.
Essa é a razão pela qual, ao contrário do que acontece nos EUA, é cada
vez maior o número das que desistem - ou simplesmente quebram. Umas
atrás das outras, numa série que se alonga dia a dia com o câmbio atual.
EUA, PEQUENOS SÃO GRANDES
De
acordo com a classificação norte-americana (www.sba.gov), 220 mil micro e pequenas
empresas respondiam, no ano 2000, por nada menos que 31% do valor das
exportações dos EUA. E tem mais: as micro e pequenas empresas
norte-americanas representavam naquele ano 99,7% do emprego no país!
Fonte: por Alberto Tamer - O Estado de São Paulo - 20/7/2006
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