Desemprego cai na América Latina mas aumenta no Brasil, diz OIT
Além do Brasil, o desemprego aumentou somente na Jamaica, segundo levantamento da Organização Internacional do Trabalho (OIT).
"O desemprego urbano na América Latina e Caribe apresentou recuo pelo quarto ano consecutivo em 2006, revelou, nesta quarta-feira (6), estudo realizado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT). A taxa caiu de 9,5% de janeiro a setembro de 2005 para 9% em igual período deste ano na média dos países pesquisados. No Brasil, porém, o desemprego urbano, pesquisado nas seis maiores regiões metropolitanas do país, subiu de 10% em 2005 para 10,2% neste ano. Além do Brasil, o desemprego aumentou somente na Jamaica.
A diretora do escritório da OIT no Brasil, Laís Abramo, explicou que esse aumento do desemprego no Brasil está influenciado pelo método utilizado na pesquisa. Segundo ela, o formato escolhido, que privilegia as seis principais regiões metropolitanas do país, não reflete necessariamente o quadro existente no Brasil. Isso por que o emprego estaria aumentando mais no interior do país. 'Na maior parte dos países pesquisados, o método é pelo país inteiro', afirmou. Acrescentou que diferenças metodólogicas na medição do emprego e desemprego entre os países também influencia o resultado.
Na avaliação de Abramo, o desemprego urbano apresentou aumento marginal no Brasil por conta de um maior contingente de pessoas que estariam buscando trabalho, e não pelo fechamento de vagas. Dados do Ministério do Trabalho apontam para a criação de 580 mil postos de trabalho nas regiões metropolitanas de janeiro a outubro deste ano, ao mesmo tempo em que 690 mil pessoas, que antes não buscavam emprego, passaram a fazê-lo em 2006.
'Eu não diria que o desemprego está aumentando no Brasil. Esta elevação é quase imperceptível e insignificativa. Quando melhora o quadro do trabalho, também aumenta o número de pessoas que passa a procurar emprego. Com isso, aumenta a população economicamente ativa e cai o desalento', avaliou Abramo. Segundo avaliação da OIT, o Brasil acompanhou, em 2006, a tendência geral da América Latina e Caribe de melhoria dos indicadores do mercado de trabalho. Apesar das melhorias, o continente ainda permanece campeão em desigualdades, apesar de não ser o mais pobre.
Crescimento econômico
Segundo
a diretora da OIT, o crescimento econômico apresentado por um país é
decisivo, mas não suficiente, para aumentar o nível de emprego com
diminuição das desigualdades. Neste ponto especificamente, a situação
do Brasil é pior do que o resto da América Latina, avalia a OIT.
Para este ano, por exemplo, a estimativa da OIT para o crescimento da região é de 5,1%, bem abaixo dos cerca de 3% projetados pelo mercado financeiro e pelo governo federal para o Brasil. Para 2007, a América Latina e Caribe devem crescer 4,4% na média, enquanto o crescimento brasileiro, pelas últimas estimativas, não deve ultrapassar a barreira dos 3,5%.
'O ponto mais desfavorável para o Brasil é o crescimento do PIB. Mas, mesmo com o crescimento baixo, diminuíram de forma significativa as desigualdades e a pobreza. Está havendo um crescimento pró-pobre. Isso é resultado da combinação de políticas sociais com a abertura de vagas no mercado de trabalho', avaliou a diretora da OIT. Ela lembrou que o Brasil e o Chile já atingiram, com antecedência, as metas do milênio para redução de desigualdades.
Salário mínimo real e informalidade
A
OIT informa ainda, por meio do Panorama Laboral de 2006, que o salário
mínimo real teve elevação de 4,7% em 2006 na América Latina. No caso,
do salário industrial, a elevação real, descontada a inflação, foi de
3,9% de janeiro a setembro. O Brasil, por sua vez, teve aumento real de
13% no salário mínimo e de 1,1% no salário da indústria. A OIT concluiu
que o crescimento do poder de compra do salário mínimo no Brasil está
entre os maiores da América Latina.
No caso da informalidade, que é defininda pela OIT como trabalhadores autônomos, liberais e técnicos, a taxa, referente neste caso ao ano de 2005, ficou em 48,5% para toda a América Latina e Caribe. As mulheres representam 51,4% dos trabalhadores informais, enquanto os homens respondem pela parcela de 46,3%. No Brasil, por sua vez, a informalidade está em 46,6% para os homens e em 52,4% para as mulheres."
Fonte: http://g1.globo.com/Noticias/Economia/0,,AA1377535-5599-3687,00.html - 07/12/2006








