Desvalorização do dólar está próxima do fim? Indícios apontam retomada da alta
Após registrar forte valorização entre os anos de 2001
e 2003, muito em decorrência das eleições presidenciais no Brasil, o
dólar desde então vem engatando um processo de forte desvalorização
perante a moeda nacional.
De 2003, quando encerrou o ano próximo aos R$ 2,90, a divisa
norte-americana chegou à mínima de R$ 1,56 na última segunda-feira (4),
uma desvalorização de cerca de 46% em um período de aproximadamente
apenas cinco anos.
Alberto Furuguem, economista do Banco Cruzeiro do Sul, lembra que no
primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a valorização
do real perante o dólar era gratificada, já que derrubava os preços e
combatia a inflação, que à época, permeava a casa de 9,3% ao ano,
conforme apontava o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo).
Entretanto, a manutenção da tendência declinante da moeda dos EUA
passou a ser tida como vilã. Com a inflação dentro das metas
estipuladas, a excessiva queda do dólar começou ameaçar o saldo em
conta-corrente, fato que, em contrapartida, era compensado pela
acumulação de reservas cambiais, que hoje, já passam dos US$ 200
bilhões.
Culpa do Banco Central?
Criado em 31 de dezembro de 1964, o BACEN (Banco Central do Brasil) tem a função de gerir a política econômica
com máxima competência, ao passo que a taxa de câmbio, teoricamente,
também passa pela gestão da autarquia. Entretanto, tal atribuição fica
mesmo mais para a teoria, já que o regime de câmbio flutuante inibe uma
influência direta.
Portanto, como ressalta Furuguem, não será uma intervenção do Banco
Central que deverá frear a valorização do real, mas sim uma mudança do
cenário macroeconômico internacional, em especial na economia
norte-americana.
Além deste contexto, a queda nos preços das commodities, engatilhada
nas últimas semanas, pode ser mais um sinal da retomada ascendente do
dólar, já que a fuga dos investidores para os Treasuries
norte-americanos, ativos considerados altamente seguros, pode garantir
uma retração na oferta da moeda, culminando na elevação da cotação ante
à demanda.
Influência da taxa de juro
Por outro lado, o economista do Banco Cruzeiro do Sul também destaca o
contraste entre a taxa de juro doméstica e a norte-americana, que
colabora para manter o dólar sob pressão de baixa por aqui. Mas segundo
Furuguem, uma tendência de convergência entre os dois juros no futuro,
com alta nos EUA e baixa no Brasil, pode favorecer a valorização do
dólar.
O cenário corrobora a tese. Após uma expressiva flexibilização
monetária, o juro básico norte-americano tem tudo para entrar em
tendência de alta pelo Federal Reserve, tão logo sejam mitigados os
riscos do setor financeiro.
Já por aqui, avalia o economista, o juro poderá começar a cair em
concordância com o ajuste dos preços à meta de inflação, resultado do
aperto monetário imposto pelo Copom (Comitê de Política Monetária do
Banco Central) e da queda nos preços internacionais, em especial, dos
alimentos.
Por Rafael de Souza Ribeiro
Fonte: http://web.infomoney.com.br/








