Dólar derrete exportador
Espaço aberto para Alberto José Peliciolli, diretor financeiro de empresa de móveis em Flores da Cunha (RS).
Espaço aberto para Alberto José Peliciolli,
diretor financeiro de empresa de móveis em Flores da Cunha (RS): "Nossa
empresa do ramo de móveis é 100%, mas com o dólar no patamar em que
está é impossível continuar, sob risco de demitir nossos 330
funcionários e mandá-los para o seguro desemprego. Vamos teimando,
ainda até o final deste ano.O governo não se dá de conta que estamos
gerando empregos na China, na Índia? Precisamos urgente de uma banda
cambial".
O professor Marcelo de Oliveira Passos,
da Universidade Federal de Pelotas (RS), entra no assunto, sugerindo
como evitar uma apreciação maior da taxa de câmbio real no médio e
longo prazo: basta promover uma nova rodada de abertura comercial
(importar mais para exportar mais).
Diz ele: "Mexer na
política cambial é tarefa que requer um timing preciso, um sentido
apurado de análise e uma perfeita noção de sintonia da política cambial
com outras políticas que fazem parte da política econômica (políticas
fiscal e monetária, sobretudo, e também as políticas externa e
comercial)". Por isso, às vezes é "melhor manter a política cambial
como está e refletir mais sobre a necessidade e as características
destas alterações". Mas cabe uma proposta: "não seria melhor é influir
indiretamente sobre a taxa cambial (incentivando as importações) que
alterar a política cambial (como propõe alguns economistas)? O Brasil é
uma das grandes economias mais fechadas do planeta. Quando sua taxa de
câmbio ruma para uma apreciação excessiva, tem-se uma oportunidade de
se fazer política comercial. Nesse sentido, prospectar mercados para
nossos principais produtos e oferecer em troca a desoneração tarifária
para produtos importados essenciais para a indústria brasileira
(máquinas e equipamentos, tintas, alguns componentes eletrônicos,
softwares etc.) pode ser mais eficaz para a estabilidade cambial no
médio prazo do que o discutir e implementar mexidas na taxa de câmbio,
controles cambiais etc".
Ampliar a corrente de comércio pode
ser mais eficaz do que defender alterações na política cambial, afirma.
Outro ponto importante a considerar: "Com o possível aumento da taxa
Selic no curto prazo, é possível que ela tenda para um piso cada vez
menor. Bom para o especulador cambial e péssimo para o exportador. Um
aproveita as diferenças de preços entre ativos (o real e o dólar). O
outro gera produto, emprego e renda."
Fonte: http://www.joelmirbeting.com.br/noticias.aspx?IdNews=32634&IdgNews=8








