Dólar é o mais baixo desde 1999. E deve cair ainda mais
A expectativa de elevação da taxa Selic fez o dólar cair para R$ 1,663, menor valor desde maio de 1999.
O primeiro efeito da alta do juro já pôde ser sentido antes mesmo do
início da segunda parte da reunião do Comitê de Política Monetária
(Copom), no fim da tarde de ontem. A expectativa de elevação da taxa
Selic fez o dólar cair para R$ 1,663, menor valor desde maio de 1999.
Para
analistas, a alta do juro deverá reforçar a tendência de ingresso de
recursos de curto prazo no País, contribuindo para maior valorização do
real. Como a queda do dólar estimula as importações e torna as
exportações menos competitivas, o efeito da pressão sobre a taxa de
câmbio pode ser uma piora nas contas externas.
A entrada de
recursos será estimulada porque vai aumentar a diferença entre os juros
no Brasil e os cobrados nos principais mercados externos. Assim, os
investidores serão incentivados a fazer as chamadas operações de
"arbitragem", em que captam recurso lá fora e aplicam no mercado
brasileiro, ganhando com a diferença.
O fluxo de dólares ao
Brasil vem se mantendo forte, apesar da turbulência internacional. Nas
duas primeiras semanas deste mês, segundo informou ontem o Banco
Central (BC), entraram US$ 5,435 bilhões no País, valor maior que os
US$ 4,362 bilhões de igual período de abril de 2007, quando a crise
americana ainda não existia.
O aumento ocorreu até nos
investimentos financeiros, os mais vulneráveis ao nervosismo do
mercado. Nas duas primeiras semanas do mês, ingressou no País US$ 1,714
bilhão para aplicações financeiras, como títulos da dívida e ações. O
volume foi 70% maior que o US$ 1 bilhão do mesmo período do ano
passado. As operações de câmbio ligadas à balança comercial trouxeram
US$ 3,721 bilhões, já que as exportações superaram as importações.
Para
os especialistas, o resultado se explica pelo aumento da diferença
entre o juro do Brasil e a taxa dos Estados Unidos, situação que será
reforçada a partir agora com elevação da Selic.
Até ontem, o BC
pagava juros anuais de 11,25% e os EUA, de 2,25%. A diferença era de
nove pontos porcentuais a favor do investimento no Brasil. Em abril de
2007, a Selic estava em 12,75% e o juro dos EUA era de 5,25%. Na época,
a diferença era menor, de 7,5 pontos.
"A queda das taxas nos
EUA e o aumento do juro no Brasil são um tremendo atrativo para o
investidor estrangeiro, que continua ingressando no País", diz o
economista-chefe do Banco Fator, José Francisco de Lima Gonçalves. "Não
conheço nenhum país com o mesmo nível de risco do Brasil que pague
juros tão altos", reforça o gerente de câmbio da Fair Corretora, Mário
Battistel.
Diante disso, nem mesmo a alta de alíquotas do
Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) afugentou o estrangeiro. "O
aumento do diferencial de juros anulou completamente essa alíquota
maior", diz o professor da Fundação Getúlio Vargas André Luiz
Sacconato.
O economista da GAP Asset Management Alexandre Maia
lembra que, além do juro, outros dois fatores pressionam para baixo a
cotação do dólar no País: a forte alta das commodities no mercado
internacional e a tendência de queda da moeda americana no mundo todo,
em razão da crise econômica no país.
Fonte: Sistema de Informação IEA/Funcex/O Estado de São Paulo








