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Dubai é meca para o setor de construção civil global

A Big 5 é a segunda maior feira da construção do mundo e acontece de 25 a 29 de novembro de 2007.

Nos corredores de entrada do Centro Internacional de Exposições de Dubai estão espalhados dezenas de relógios de parede para que o visitante não perca a hora marcada com os expositores. Todos os relógios são da marca Rolex. Isso é só um pequeno sinal da opulência da Big 5, segunda maior feira de construção do mundo, que começou no domingo e segue até quinta na cidade que é o coração dos Emirados Árabes Unidos. 

Fornecedores de materiais de construção disputaram cada um dos 37 mil metros quadrados do espaço do centro de convenções, que está absolutamente lotado. Expõem os seus produtos 2.839 empresas de 52 países. De acordo com Bernard Walsh, diretor-gerente da DMG, que organiza o evento, pelo menos outras 400 companhias estão na lista de espera. A DMG é uma empresa britânica, que pertence ao mesmo grupo do jornal "Daily Mail".

Até 2010, o governo de Dubai terminará de construir um novo centro de convenções que terá o dobro do tamanho e de capacidade para atender empresas: 65 mil metros quadrados. "Estou certo de que estaremos completamente lotados assim que nos mudarmos", diz Walsh. Para expor na Big 5 em Dubai neste ano, as empresas pagaram US$ 350 por metro quadrado. A feira existe (com diferentes nomes) há 28 anos, mas só nos últimos três se tornou esse frenesi.

O interesse das empresas em marcar presença em Dubai é facilmente compreensível. O setor de construção civil está explodindo na região do Golfo, que utiliza os recursos do petróleo para construir sua infra-estrutura e para expandir os negócios. Basta observar o horizonte da cidade e sua maré de guindastes. Segundo pesquisa da Proleads, estão em andamento no Golfo, principalmente na Arábia Saudita e nos Emirados Árabes Unidos, 2.837 projetos de construção estimados em US$ 2,4 trilhões.

Entre todas as obras, a maior é a King Abdullah Economic City na Arábia Saudita, avaliada em US$ 120 bilhões. Os seguintes na fila são o Silk City Project, no Kuait, com US$ 86 bilhões, e a Dubailand, com US$ 60 bilhões. A pesquisa também demonstra que, adicionados os projetos hoje em planejamento, esse número pode chegar em breve a 3.519 obras, avaliadas em US$ 2,5 trilhões.

É uma arca do tesouro que empresas e países não medem esforços para conquistar. Itália e Alemanha disputam o título de país com maior representação na Big 5. Segundo os organizadores, os alemães possuem o maior espaço de exposição: 7 mil metros quadrados, contra 6 mil da Itália. Os italianos, porém, estão em maior número. São mais de 400 empresas. As da Alemanha são 350.

Para promover seu país, o primeiro-ministro da Itália, Romano Prodi, esteve na abertura da Big 5, no domingo, acompanhado de ministros. "A participação da Itália este ano está caracterizada pelo luxo, que representa o estilo de vida italiano", explica Ferdinando Fiore, da Comissão de Comércio da Itália (ICE, da sigla em italiano). O país, cujo principal produto de exportação para os árabes são jóias, busca se diferenciar ainda mais como uma fonte de produtos de alto valor agregado. Segundo a ICE, a Itália vendeu € 3,3 bilhões apenas para os Emirados Árabes Unidos em 2006, um aumento de 40% em relação ao ano anterior.

Os expositores alemães estão reunidos em um espaço separado, o Zabueel Hall. Com os seus 7 mil metros quadrados, o pavilhão é o maior da Alemanha em uma feira em todo o mundo. Em 2006, as exportações totais dos alemães para a região do Golfo cresceram 17%, atingindo € 13 bilhões. O produto mais forte da Alemanha são as máquinas, mas também estão na feira empresas de portas, janelas e produtos de consumo.

Conforme Boris Abadjieff, vice-diretor-gerente da Federação de Engenharia da Alemanha (VDMA, na sigla em alemão), que reúne o setor de máquinas, os alemães estão ávidos por exportações na construção civil. "O mercado na Alemanha está maduro, e os negócios enfrentam uma crise", disse. O setor de construção do país recuou com o impacto da crise do mercado imobiliário dos EUA.

A participação da China, que acaba de ultrapassar a Alemanha como maior exportadora mundial, ainda é modesta na Big 5. Mas é por absoluta falta de espaço. De acordo com a empresa chinesa de exposições e conferência Massbetter, o país ocupa uma área de 1,5 mil metros quadrados, com 150 companhias. David Wang, gerente-geral, afirma que houve um pequeno aumento de 5% em relação a 2006. "Pela demanda das empresas chinesas, poderíamos dobrar de tamanho."

Os chineses oferecem canos, portas, janelas, mármores, mas não são fortes em maquinário. "Ainda temos que desenvolver", reconhece Wang. Ele rechaça, porém, as críticas de que os produtos chineses possuem menor qualidade que os concorrente. "Baixa qualidade, baixo preço era uma verdade há dez anos", disse. Segundo Wang, o país fabrica produtos com vários níveis de qualidade, mas consegue preços quase 30% menores devido à escala de produção.

Outros países emergentes, como o Brasil, também tentam se destacar. A Turquia é um dos que mais promovem a sua participação na feira. O país conseguiu este ano uma área de 1.395 metros quadrados em dois pavilhões nacionais separados, que abrigam 78 companhias. As empresas turcas são fortes em aço e mármore, mas tentam diversificar seus embarques com produtos industriais.

Em 2006, a Turquia exportou cerca de US$ 3 bilhões para a região do Golfo. De acordo com H. Asuman Soylu, diretora do departamento de implementação e coordenação do Centro de Promoção de Exportações da Turquia (Igeme, da sigla em turco), o país adotou a estratégia de diversificar suas exportações, e os países arábes são o principal alvo. "Queremos incrementar as relações com os nossos vizinhos, cujas economias crescem muito. O comércio também é importante para promover a paz na região", diz. A Turquia direciona hoje 50% de suas vendas para a União Européia.

O nome Big 5 vem dos cinco setores que compõem a feira: edificação e construção, tecnologia da água e meio ambiente, ar condicionado e refrigeração, limpeza e manutenção, vidro e metal, banheiros e cerâmica, além de mármores e pedras. Neste ano, pela primeira vez, também acontece a Big 5 PMV, que engloba aparelhos, máquinas e veículos para a construção civil. O evento, que ocorre no Centro de Exposições do Aeroporto de Dubai, atraiu 240 empresas de 24 países.

Por Raquel Landim (A repórter viajou a convite da Agência de Promoção de Exportações - Apex)

Fonte: Valor OnLine Newsletter - Ano 5 nº 1894, 27/11/2007



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