Eletrodomésticos registram deflação no IPCA
Segundo os últimos dados do comércio varejista divulgados pelo IBGE, as vendas de móveis e eletrodomésticos aumentaram 27,8% em abril e ultrapassaram o segmento de hiper e supermercados.
No momento em que a demanda aquecida estimula reajustes de preços, os eletrodomésticos seguem em caminho contrário e, ao mesmo tempo em que mostram ótimo desempenho nas vendas, registram deflação no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a taxa oficial de acompanhamento inflacionário. Os resultados acumulados no IPCA de janeiro a maio de 2008 mostram queda de 0,39% nos preços de eletrodomésticos. A redução em artigos de TV, som e informática é ainda mais significativa: 5,07%. "Os eletrodomésticos estão ajudando a conter a inflação", destacou a coordenadora de índices de preços do IBGE, Eulina Nunes dos Santos. Esses produtos são parte do grupo de Artigos de Residência, com peso de 5,48% (similar ao dos grupos de Vestuário e Comunicação) no IPCA. O grupo de produtos registrou a menor alta (0,16%) entre os nove grandes grupos pesquisados, com contribuição praticamente nula (0,01 ponto percentual) para a inflação de 2,88% apurada pelo instituto no acumulado dos cinco primeiros meses deste ano.
Além disso, no IPCA acumulado de 5,58% em 12 meses até maio, o
grupo Artigos de Residência registrou variação negativa de 1,42%, com
contribuição também negativa (-0,07 ponto percentual) na inflação no
período. Ou seja, não fossem os eletrodomésticos, o IPCA acumulado em
12 meses já teria atingido 5,65%.
Eulina lembrou que o câmbio
está contribuindo para a queda dos preços dos eletrodomésticos, seja
nas matérias-primas para produção doméstica ou no aumento das importações
que aumentam a concorrência interna e ajudam a evitar os reajustes.
Demanda
Se dependesse da demanda, os preços desses produtos já teriam
disparado. Segundo os últimos dados do comércio varejista divulgados
pelo IBGE, as vendas de móveis
e eletrodomésticos aumentaram 27,8% em abril e ultrapassaram o segmento
de hiper e supermercados - de maior peso na pesquisa de comércio - como
principal influência positiva para o crescimento das vendas do setor
(8,7% ante maio do ano passado). De janeiro a maio deste ano as vendas
deste segmento acumularam um crescimento de 19,8%, bem acima da média
do varejo no período (11,0%).
A expansão ocorre após sucessivos e significativos aumentos já apurados no acumulado dos anos de 2004 (26,4%); 2005 (16,0%); 2006 (10,3%) e 2007 (19,8%), com surpreendente aceleração do ritmo em 2008. O chefe do departamento de economia da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Carlos Thadeu de Freitas, acredita que os eletrodomésticos vão registrar deflação acumulada de 3,5% em 2008 e também atribui a queda nos preços desses produtos, apesar do crescimento da demanda, ao fato de que são produtos "sensíveis ao câmbio".








